BRASIL
Segunda-feira, 07 de Fevereiro de 2011, 20h:51
A
A
EGITO
Mubarak aumenta salário de servidores
Presidente egípcio tenta ganhar tempo e conter a onda de protestos de rua conta o seu regime que já duram mais de duas semanas
Pela primeira vez desde que começou a onda de protestos no Egito, o presidente Hosni Mubarak reuniu ontem todo o novo gabinete de governo. Mubarak mudou os principais assessores em 31 de janeiro. O tema principal da reunião foi a busca de medidas para estabilizar a economia do país, que sofre o impacto da crise política. Depois da reunião, foi prometido aumento de 15% nos salários e pensões para os servidores públicos a partir de abril. O presidente egípcio tentou ganhar tempo frente aos protestos de rua contra seu regime. O ditador de 82 anos reuniu-se pela primeira vez com seu novo gabinete, enquanto o regime luta para fazer a economia mover-se novamente, apesar dos protestos por parte de ativistas pró-democracia que ocupam a principal praça do Cairo, no centro da cidade. De acordo com a agência de notícias Mena, o gabinete aprovou um plano para aumentar o salário do setor público em 15% a partir de abril e gastar mais de 940 milhões de dólares em aumentos nas aposentadorias. O aumento poderá reafirmar o apoio dos partidários de Mubarak ao regime, como membros da grande burocracia estatal e das forças de segurança, mas não havia sinais de que os manifestantes que já completam duas semanas na praça Tahrir cederiam. Manifestantes sentaram em frente a tanques do exército nos arredores da praça, temendo que quaisquer movimentos dos militares poderiam ter como objetivo expulsá-los da praça. Os ativistas também aumentaram as pressões fechando o acesso a Mugamma, o coração da burocracia egípcia, apesar de dezenas de pessoas tentarem ter acesso ao local para obter documentos como passaportes. Em meio à tensão, manifestantes detiveram um homem que levava uma garrafa de gasolina nas mãos, na tentativa de colocar fogo no edifício, temendo serem apontados como culpados, e entregaram o homem às tropas que controlavam o acesso à praça. Em outras medidas do governo para reavivar a vida econômica, o toque de recolher em três cidades, incluindo o Cairo, foi diminuído para o período das 20h00 às 06h00 locais, e a bolsa de valores informou no domingo que reabriria dia 13 de fevereiro. A bolsa do Cairo fechou com queda de 10 pontos em 27 de janeiro, depois de 12 bilhões de dólares em ações terem sido vendidos em dois dias. Mubarak reuniu-se em seu gabinete com o vice-presidente Omar Suleiman, com o porta-voz do Parlamento, Fathi Surur, e o presidente da corte de apelação egípcia, Sari Siyam, informou a agência de notícias Mena. No domingo, Suleiman - possível sucessor de Mubarak - tentou amainar a revolta convidando diversos grupos de oposição para ajudá-lo nas "reformas democráticas". Mas os manifestantes não desistiram e mantiveram a vigília. Grupos de oposição, incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana, repetiram seu pedido para que Mubarak renuncie ou delegue imediatamente seus poderes a Suleiman. Houve pouco alívio por parte dos líderes do Ocidente, onde Mubarak já foi forte aliado e defensor da estabilidade no Oriente Médio. O presidente americano, Barack Obama, afirmou que o Egito mudou "para sempre" desde o início das revoltas populares, em 25 de janeiro, e pediu um "governo representativo" no Cairo, apesar de não ter demandado a retirada imediata de Mubarak do poder.