NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 22 de Março de 2008, 12h:55

CONSELHO SUL-AMERICANO

Ministro pede 'distância' dos EUA

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
Da Agência Estado – Washington
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ao secretário de Defesa americano que a melhor maneira de os Estados Unidos colaborarem com o conselho de defesa sul-americano é "manter distância". O secretário de Defesa dos EUA, Bob Gates, reuniu-se por 40 minutos com Jobim e perguntou qual a melhor maneira de os americanos ajudarem no conselho. "Eu disse a ele que a melhor maneira de os EUA ajudarem era assistir, ficar à distância, porque estamos fazendo algo claramente sul-americano", disse Jobim. O ministro da Defesa está em Washington divulgando a idéia do Conselho de Defesa sul-americano, que teria como objetivo traçar uma política de defesa comum para a região e desenvolver indústrias bélicas integradas. Ele esteve também com a secretária de Estado, Condoleezza Rice, que teria achado a iniciativa "interessante para o continente", segundo relatou Jobim. "Viemos apenas informar nosso parceiro internacional sobre um assunto claramente sul-americano", disse o ministro. Às vésperas de iniciar seu giro pela América do Sul para vender a idéia o conselho de defesa, Jobim fez questão de ser firme com o Departamento de Estado, de olho no público sul-americano. Ele anunciou que sua primeira parada será em Caracas, onde estará com o presidente Hugo Chávez no dia 14 de abril. "Ele não veio pedir a bênção, veio só informar o formato do conselho e deixar claro que se trata de um assunto exclusivamente sul-americano", diz uma fonte que acompanhou as reuniões. Os Estados Unidos, pro sua vez, não desgostam da idéia de um conselho de defesa liderado pelo Brasil, que representaria uma neutralização ao militarismo de Chávez na região, por causa da posição mais equilibrada do governo brasileiro. O ministro afirmou ter conversado com os secretários americanos sobre o incidente envolvendo Colômbia e Equador, mas não entrou em detalhes, limitando-se a comentar: "Quem diz que o governo do Equador sabia que as Farc estavam lá em seu território é porque não conhece a região; quem conhece a Amazônia sabe que lá não se enxerga coisa nenhuma." Em reuniões no departamento de Estado e no Pentágono, Jobim disse ter abordado a reivindicação brasileira para transferência de tecnologia na venda de armamentos. "Eu disse a eles que os EUA tiveram restrições para exportar para o Brasil radares e sensores em 1998. E disse que queríamos saber quais são os critérios (para transferência de tecnologia)", contou Jobim. "Eles me mostraram qual era o procedimento para avaliar a transferência e eu disse que não era satisfatório. Essas coisas só esgarçam, não ajudam as relações, eu disse ao almirante Mike Mullen (chefe do Estado maior conjunto)." Ao que o almirante teria respondido "nossas negativas nunca são definitivas". RICE De manhã, depois da reunião com Condoleezza, Jobim falou sobre o conselho para uma platéia de representantes do Comando Sul das forças armadas americanas, do Departamento de Estado e outros, no Centro de Estudos Estratégicos Internacionais. O ministro foi apresentado por Brent Scowcroft, conselheiro de segurança nacional no governo de George Bush pai. O discurso teve direito a gafes. À certa altura, Jobim chamou o secretário da Defesa, Bob Gates, de Bill Gates (milionário do software). No final da apresentação, disse "já rodei bolsinha em muita esquina por aí", para justificar porque não iria se furtar de dar opiniões. A tradução ficou apenas como "já passei por muitas experiências".

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL