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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 19 de Junho de 2010, 13h:42

FICHA LIMPA

Ministro diz não temer enxurrada de recursos

Ficha Limpa poderá atingir diretamente o deputado federal Paulo Maluf (PP)

BRÁS HENRIQUE
Da Agência Estado - Ribeirão Preto
O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que não teme uma possível enxurrada de recursos contra a Lei da Ficha Limpa, que será aplicada já na eleição deste ano. "Não temo, não, porque a lei é bastante clara e o pronunciamento do TSE também foi bastante claro, e os juízes e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) deverão aplicar essa lei de conformidade com o entendimento do TSE, que é o órgão máximo da Justiça Eleitoral", comentou ele. "Dificilmente algum recurso chegará ao STF, notadamente agora em função da chamada repercussão geral, pois hoje os recursos, para chegarem ao STF, precisam provar que eles possuam um interesse maior além do interesse subjetivo da parte, o interesse nacional, o interesse coletivo." Lewandowski lembrou que o TSE aprovou a lei complementar por expressiva maioria e que três integrantes do STF participaram. "É possível, em tese, que a constitucionalidade dessa lei seja examinada pelo STF, especialmente no que toca ao artigo 16 da Constituição, de saber se pode ou não entrar em vigor imediatamente ou somente para as próximas eleições, mas eu acredito que o exame feito no TSE foi bastante rigoroso e nós atestamos a constitucionalidade dessa lei", enfatizou o ministro, justificando a sua convicção de que a lei será aplicada. Lewandowski destacou que o Brasil tem uma democracia madura e que, depois que mais de 1,6 milhão de assinaturas favoráveis à Lei da Ficha Limpa, os cerca de 134 milhões de eleitores deverão comparecer e votar em massa no pleito de outubro, escolhendo os melhores candidatos para representar o povo. E afirmou que o TSE está preparado para divulgar os nomes, no site do órgão, os antecedentes dos candidatos, a partir do momento em que os registros de candidaturas foram deferidos ou não, o que ocorrerá a partir de 5 de julho. O ministro citou que a questão da retroatividade das condenações definitivas de políticos já existentes, e, portanto, inelegíveis, podem ser analisadas caso a caso. Antes, as condenações tornavam os políticos inelegíveis por três anos e a nova lei aumenta a pena para oito anos. "Examinaremos os casos concretos, pois o TSE não se debruçou sobre isso porque não foi objeto de consulta", disse. Ele acrescentou também ser favorável à expansão da Lei da Ficha Limpa para pessoas que ocupam cargos comissionados no serviço público. "Sou favorável pela mais ampla moralidade no âmbito público de forma geral, para cargos eletivos ou não", concluiu. PROBLEMAS Em São Paulo, o Ficha Limpa poderá atingir diretamente o deputado federal Paulo Maluf (PP). A eventual saída do ex-prefeito de São Paulo provoca um baque no partido em termos de perda de votos para as eleições proporcionais. Em 2006, ele foi o maior puxador de votos - mais de 700 mil - da bancada do PP, ajudando a eleger candidatos menos expressivos. Sem Maluf, é improvável que o PP repita esse desempenho em São Paulo. O advogado do deputado, Eduardo Nobre, diz não ter dúvidas de que Maluf poderá concorrer às próximas eleições. "Ele não foi condenado ainda por colegiado. Houve uma condenação e uma absolvição preliminares por três desembargadores e agora haverá a decisão final com a câmara completa de sete desembargadores", disse. Maluf foi condenado por compra superfaturada de frangos pela 7ª Câmara de Direito Público do TJ-SP. Para Nobre, a lei ataca o princípio constitucional da presunção de inocência.

Edição EDIÇÃO 16964




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