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BRASIL
Quarta-feira, 18 de Julho de 2012, 21h:29

INVESTIGAÇÃO

Ministro da Justiça nega perseguição da PF

Presidente do PSDB disse que a CPMI se transformou em um tribunal de exceção, e acusou o relator de mudar o foco das investigações para tentar atingir o PSDB

YARA AQUINO
Da Agência Brasil – Brasília
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ontem que não há motivação política nas investigações feitas pela Polícia Federal (PF) ao rebater críticas do PSDB de que a instituição estaria atuando para prejudicar o governador de Goiás, Marconi Perillo, nas investigações sobre o esquema do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “A atuação da PF é uma atuação republicana, não há cores políticas nas investigações, não há cores ideológicas. Há apuração de fatos, identificando-se a possibilidade de ocorrência de delitos a PF atua como deve atuar. Portanto, podem ficar absolutamente tranquilos, aqui não se persegue um governador, um deputado, um senador, pode ser do PSDB, do PT, da base governista ou da oposição”, disse após participar de cerimônia no Ministério da Justiça. Na edição desta semana, a revista Época traz reportagem segundo a qual investigações da Polícia Federal comprovam a ligação entre o esquema de Carlinhos Cachoeira e o governador Marconi Perillo. Ontem (17), o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), classificou de fraudulentas todas as acusações feitas contra Perillo. O governador é alvo de denúncias de ligação com Carlinhos Cachoeira, investigado por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) por suspeita de chefiar um esquema de jogos ilegais na Região Centro-Oeste. Cardozo disse ainda que a crítica do PSDB é “totalmente descabida”. “Talvez vindo de pessoas que querem fazer uma defesa política numa investigação que não tem nada de política”, completou. REBATE O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, rebateu ontem as acusações de que a comissão tenha direcionamento político voltado para atacar o governador de Goiás, Marconi Perillo. O parlamentar também apresentou balanço dos trabalhos realizados pelo colegiado no primeiro semestre. Antemontem, o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse que a CPMI se transformou em um tribunal de exceção, e acusou o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), de mudar o foco das investigações para tentar atingir Perillo e o PSDB, além de desviar as atenções do julgamento do mensalão. “Não há direcionamento no trabalho. Respondo pela presidência e ela tem agido de forma reta, isenta e não tem recebido nenhum tipo de ataque. Os ataques [do PSDB] são políticos e respeitamos as decisões políticas”, argumentou Vital, que defendeu as medidas adotadas pelo relator. “O plano de trabalho tem sido cumprido fielmente pelo relator, com absoluta isenção. Ele é atacado num contexto em que a geografia política do fato determinado se impõe. É fato que a organização criminosa se desenvolveu no estado de Goiás e o núcleo é no estado de Goiás”, disse o senador. BALANÇO Vital do Rêgo fez ontem um balanço dos trabalhos da comissão e garantiu que, após o recesso parlamentar, haverá reuniões do colegiado em todas as terças-feiras pela manhã e quartas-feiras à tarde, no mês de agosto. Segundo ele, na volta do recesso, a comissão dará prioridade à convocação de pessoas que estejam dispostas a falar. Perguntado sobre as convocações do ex-dono da Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish; do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot; e da reconvocação de Marconi Perillo, Vital do Rêgo disse que todos os requerimentos têm o mesmo peso e que caberá ao plenário decidir. “Todos os requerimentos são dados e tratados da mesma forma, não tem requerimento prioritário. Começamos a preparar o calendário de agosto e o calendário será divulgado na próxima semana. Posso adiantar que está marcada reunião administrativa para o dia 15 de agosto”. Segundo consta do balanço da comissão, foram chamadas 24 pessoas para serem ouvidas, sendo que nove prestaram depoimentos integrais, duas parciais e outras 13 não se manifestaram. Dos 715 requerimentos apresentados nas sete reuniões administrativas, 480 foram aprovados, cinco rejeitados e outros cinco retirados pelos autores. Os demais serão apreciados na volta do recesso. A CPMI do Cachoeira vai acompanhar as investigações sobre a morte do policial federal Wilton Tapajós Macedo, assassinado anteontem no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Ontem, o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que designou policiais federais que estão a serviço da comissão para acompanhar o caso.

Edição EDIÇÃO 16967




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