DENISE CHRISPIM MARIN
Da Agência Estado - Brasília
O Mercosul e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) darão um recado comum sobre a crise internacional nesta segunda-feira, ao final do primeiro encontro de seus ministros de Relações Exteriores. Mas não conseguirão dar um passo concreto no lançamento das negociações de um acordo comercial - nem mesmo de corte parcial de tarifas - e poucas chances terão de afinar as posições para a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) até o fim de dezembro, como recomendaram os líderes dos países do G-20, no último dia 15. "O que o Mercosul e a Asean falem sobre a crise terá peso. Juntos, os dois blocos respondem por um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 5,5 trilhões, segundo o critério de paridade do poder de compra", afirmou o embaixador Evandro Didonet, diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty. Aos dois blocos interessa reforçar a demanda por maior participação do mundo em desenvolvimento na construção de uma nova arquitetura financeira global, assim como aumentar seu peso em decisões multilaterais que envolvam a segurança alimentar e o aquecimento global - em especial sobre as regras de redução da emissão de gases do efeito estufa que deverão vigorar a partir de 2012, o chamado pós-Kyoto. No momento em que o mundo se prepara para atender às recomendações dos líderes do G-20 (as sete maiores economias do mundo e países emergentes) e ainda não tem clareza sobre os rumos do futuro governo dos Estados Unidos, que toma posse em janeiro, o Mercosul e a Asean tentarão mostrar que podem agir em bloco sobre esses temas delicados. Mas a conversa não tende a fluir em relação à Rodada Doha.