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BRASIL
Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010, 18h:44

ATAQUE AO PRESIDENTE

Marina critica Lula por defender Dilma

A candidata resolveu se manter no ataque e disse os contribuintes devem cobrar respostas se também tiveram seus dados violados pela Receita

WILSON TOSTA
Da Agência Estado – Rio de Janeiro, RJ
A candidata do PV à Presidência da República, senadora Marina Silva (AC), conclamou ontem os contribuintes a perguntar oficialmente e por escrito à Receita Federal se também tiveram violado ilegalmente seu sigilo fiscal, como ocorreu com familiares e pessoas próximas ao postulante tucano ao Planalto, José Serra. Mantendo contra o governo federal pressão semelhante à exercida pelo PSDB nos últimos dias, Marina também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (por se solidarizar à candidata petista, Dilma Rousseff), o ministro da Fazenda, Guido Mantega (a quem acusou de banalizar o dolo) e o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo (que taxou de incompetente). "Acho que os brasileiros deveriam começar a peticionar à Receita Federal para saber se foi (sic) também violado em seu sigilo. Acho que é a única alternativa que resta depois do que estamos vendo: uma ausência daqueles que são responsáveis por passar tranquilidade, firmeza", afirmou Marina, após participar de sabatina promovida pelo jornal "O Globo". Segundo ela, a postura inicial de Mantega foi de omissão e depois de "banalização de um crime". As críticas mais duras da senadora, porém, foram focadas no presidente, por ter aparecido no programa eleitoral do PT defendendo Dilma das acusações de Serra de responsabilidade pelas violações - ocorridas em 2009, antes do início oficial da campanha eleitoral de 2010. Para Marina, a atitude do presidente gerou uma "sensação de desamparo", porque ele se solidarizou com alguém que não teve o sigilo violado - diferentemente das mais de 2 mil pessoas vítimas do mesmo esquema que teria repassado do IR de familiares de Serra e tucanos a arapongas, com fins políticos. "No caso do presidente Lula, o que criou foi uma sensação de desamparo", disse. "Porque neste momento os milhares de brasileiros que foram violados em seus sigilos querem uma atitude por parte do Estado. E os que não sabem se foram violados querem uma atitude de firmeza, para dizer que isso vai parar. E a sensação de desamparo e de impotência é por que o presidente da República, investido simbolicamente, inclusive, da aparência do cargo, da instituição, veio na defesa de uma única pessoa, que foi a sua candidata. Tem uma sensação, sim, de impotência, de todos os brasileiros. E uma certa decepção. A defesa deveria ser de todos os brasileiros." Sabatina - Também durante a sabatina Marina criticou a reação petista ao episódio de violação do sigilo de Serra. "E o meu susto maior ainda é que, quando acontecem essas coisas, em lugar de a gente discutir o que interessa, você rotula as pessoas. Quem faz a crítica é porque contra o Brasil, quem faz a crítica é por que é machista, isso é algo que não edifica a democracia. Temos que amadurecer neste País para que a gente possa tratar essas coisas do tamanho que elas são. A banalização do dolo leva as pessoas a não se importarem mais", declarou. Marina disse também que o Brasil vive um retrocesso na política. "Começam a infantilizar a sociedade. Olhem o que está acontecendo. Agora temos um Estado-pai, um Estado-mãe, um Estado-tio, um Estado-avô", afirmou. Ela acusou Dilma e Serra de terem visões "desenvolvimentistas, crescimentistas", do País, contrapondo meio ambiente e desenvolvimento - tensão que, contou, existia no governo Lula quando era ministra do Meio Ambiente. A parlamentar também afirmou querer "ganhar ganhando ou perder ganhando", não "ganhar perdendo", o seja, vencer com alianças espúrias, com fisiológicos do PMDB ou do DEM, que, segundo essa visão, inviabilizariam seu governo. "O Brasil não precisa de gerentões. O Brasil precisa de quem tenha visão estratégica", afirmou. "Lamentavelmente, estamos agora num dilema, a eleição resvalando para o vale-tudo. Não vale tudo para ganhar uma eleição. O que vale é ser coerente."

Edição EDIÇÃO 16962




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