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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

BRASIL
Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008, 21h:14

CASO DANTAS

Marcelo Itagiba critica sigilo na investigação

O ex-agente da Abin autoriza a CPI a pedir a quebra de seus sigilos

O presidente da CPI dos Grampos da Câmara, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), afirmou, ontem, que o banqueiro Daniel Dantas só não tem o seu nome "melhor apurado e questionado pela CPI" devido à decretação do segredo de justiça na investigação que apura suposta espionagem da empresa Kroll contra a Telecom Itália e o possível envolvimento de Dantas no caso. "O segredo de justiça só protege o 'Zé do banco', o 'Zé do morro' não se beneficia", afirmou Itagiba. Os dados fazem parte da Operação Chacal da Polícia Federal. "Eu desafio os juízes e os ministros da Suprema Corte a abrir mão do segredo de justiça para que a CPI e a população brasileira possam ter conhecimento sobre o que está sendo investigado", afirmou Itagiba, durante sessão que ouviu o ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Francisco Ambrósio. O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, concedeu em agosto uma liminar impedindo o juiz da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo de enviar informações sobre a Operação Chacal para a CPI. No despacho, Peluso reafirmou que a CPI não pode quebrar o sigilo de decisões judiciais, pois não tem "poder jurídico para requisitar, revogar, cassar, impor, compartilhar ou, de qualquer outro modo, quebrar sigilo legal e constitucionalmente imposto a processo judiciário". Depois de ver rejeitado pelo STF pedido de acesso às investigações das operações Chacal e Satiagraha, a CPI do Grampo pretende encaminhar à Justiça Federal questões específicas, não protegidas pelo sigilo. O objetivo, segundo parlamentares, não é pedir o conteúdo integral das informações das operações, mas algumas questões. EX-AGENTE O ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Francisco Ambrósio autorizou ontem a CPI dos Grampos da Câmara a pedir a quebra de seus sigilos bancário, telefônico e fiscal desde 1998. Aposentado desde aquele ano, Ambrósio ofereceu a quebra de seu sigilo para que a CPI saiba que ele não teve nenhuma outra fonte de renda nesse período. "Me disponho a abrir meu sigilo bancário e fiscal para que essa comissão fique tranqüila e com a absoluta verdade de que nesses dez anos não desempenhei nenhum tipo de atividade remuneratória." Ambrósio presta depoimento à CPI para explicar denúncias de que teria grampeado ilegalmente telefones do presidente do STF, Gilmar Mendes, e outras autoridades a pedido do delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, que coordenou a Operação Satiagraha. Assim como na Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, Ambrósio negou participação no caso e disse que foi contratado pelo delegado apenas para fazer uma triagem de e-mails em computadores apreendidos.

Edição EDIÇÃO 16966




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