BRASIL
Quarta-feira, 06 de Janeiro de 2010, 00h:07
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CAÇAS
Lula pode ignorar relatório da Aeronáutica sobre compra
EUGÊNIA LOPES, VERA ROSA, DENISE CHRISPIM MARIN e LEONENCIO NOSSA
Da Agência Estado Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ignorar relatório do Comando da Aeronáutica que avaliou o caça Gripen NG, da empresa sueca Saab, como o melhor para o projeto de renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB). Lula já manifestou sua preferência pelo caça francês Rafale e tem repetido que a decisão sobre a compra dos 36 aviões é "política e estratégica" para consolidar a parceria entre o Brasil e a França. A compra dos caças é mais um capítulo da crise do governo com os militares. Na véspera de Natal, os comandantes das três Forças e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ameaçaram entregar os cargos em represália à criação da Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, que desagradou aos militares por abrir brechas para a revisão da Lei de Anistia. O impasse foi temporariamente contornado com a promessa de Lula de reexaminar os pontos de atrito com os militares. O vazamento do relatório do Comando da Aeronáutica - com a avaliação ainda parcial das propostas para o projeto FX-2, de renovação da frota da FAB - irritou Lula e provocou mal-estar no governo. Auxiliares do presidente disseram que o documento já foi modificado e não faz um ranking das melhores propostas, mas apenas avalia tecnicamente itens como transferência de tecnologia e aspectos comerciais e logísticos. Nota do Comando da Aeronáutica informou hoje que o relatório ainda não foi encaminhado ao Ministério da Defesa. SUECO A simpatia de setores da Aeronáutica pelo caça sueco já é velha conhecida do governo. Lula não queria, no entanto, que isso viesse a público. Motivo: desde que anunciou sua preferência pelo caça francês, durante visita do presidente Nicolas Sarkozy ao Brasil, em setembro, Lula aguarda que a empresa Dassault reduza em 40% os custos de operação do Rafale. Naquela ocasião, Sarkozy chegou a garantir ao presidente brasileiro que melhoraria substancialmente a proposta de venda dos aviões. Três companhias competem para fornecer os 36 caças para a FAB: além da Dassault e da Saab, a norte-americana Boeing está no páreo com o F-18 Super Hornet. No relatório preliminar da Aeronáutica, divulgado hoje pelo jornal "Folha de S. Paulo", o sueco Gripen NG ficou em primeiro lugar na avaliação técnica, seguido pelo Super Hornet. O Rafale, preferido por Lula e por Jobim, obteve o terceiro e último lugar, por causa do preço, considerado extremamente alto. A preocupação no governo é que as divergências e o vazamento do relatório da Aeronáutica criem um impasse tão grande que leve ao adiamento da compra dos caças. A renovação da frota da FAB é um projeto antigo, da época do governo Fernando Henrique Cardoso. "O Lula só tem duas alternativas: ou mantém sua decisão política de comprar o Rafale ou não decide nada e empurra isso com a barriga, deixando o pepino para o próximo governo", disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Frente Parlamentar da Defesa Nacional. Um dos argumentos usados pelos defensores do caça francês é de que não se pode comparar preços entre equipamentos totalmente diferentes. Alegam, por exemplo, que o sueco Gripen é monomotor e ainda está em fase de projeto.