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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

BRASIL
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006, 21h:22

AUMENTO DE VERBAS

Lula: não ficarei "discutindo miséria"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou ontem que não está disposto a ouvir a tradicional choradeira de órgãos federais por aumento nas verbas presentes no orçamento do ano que vem. Lula disse, em discurso para militares das Forças Armadas, que não vai ficar nos próximos quatro anos "discutindo miséria", como se o orçamento fosse "uma casa onde não tem pão, onde todo mundo briga e ninguém tem razão". O presidente afirmou que o único jeito de poder atender às necessidades de todos os setores é fazer a economia crescer. Ele disse que o governo vai anunciar nos próximos dias medidas na área econômica e de infra-estrutura. Lula não economizou críticas a ex-presidentes militares, como Ernesto Geisel (1974-1979), que, segundo ele, foi o último presidente a investir em infra-estrutura. "Depois ele deixou um pepino para o presidente Figueiredo, que não podia pagar as dívidas contraídas da infra-estrutura. De lá para cá, não tivemos grandes obras." O petista disse que seu desafio no segundo mandato é fazer a economia crescer "não na medida do possível, mas ser mais criativo de forma arrojada". O presidente reconheceu que o país não cresceu muito nos últimos anos, mas disse que seu governo promoveu o maior aumento no salário mínimo nos últimos 30 anos. SEM COMPARAÇÕES O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante discurso em almoço com oficiais-generais das Forças Armadas, que seu segundo mandato não vai aceitar comparações com o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Eu agora não tenho que fazer mais nenhum discurso comparando meu governo ao governo daqueles que eu substitui. Eu agora vou ter que fazer discurso comparando meu segundo mandato com o primeiro. Agora a vidraça sou eu, de mim mesmo. Eu jogarei as pedras, portanto, com mais cautela." No discurso, Lula reconheceu que, se nos próximos quatro anos não fizer mais do que realizou no primeiro mandato, "a frustração poderá ser muito grande" para a sociedade brasileira. "Depois de quatro anos, a gente descobre o caminho das pedras." O presidente mudou o discurso em relação à posse de 2003, quando disse que queria ver todos os brasileiros tomando café, almoçando e jantando no final de seu governo. Desta vez, Lula disse que deseja ver a população brasileira não apenas tendo acesso a três refeições diárias. "Mas também estudando e trabalhando." A exemplo do que disse em sua diplomação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) anteontem, Lula elogiou a conduta da população brasileira nas eleições. "O povo deu demonstração de sabedoria política como há muito tempo não tinha, não permitiu intermediação para o voto."

Edição EDIÇÃO 16962




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