BRASIL
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010, 09h:39
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DÍVIDA DO HAITI
Lula apela ao FMI e ao Bird
TÂNIA MONTEIRO
Da Agência Estado - Porto Príncipe
Ao desembarcar ontem na capital do Haiti o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial (Bird) para que perdoem a dívida de US$ 1,3 bilhão que o país tem como esses organismos financeiros internacionais. O apelo, disse Lula, é extensivo a "todos os credores" que podem ajudar o Haiti. O presidente René Préval, depois de fazer um relato sobre a situação do país, resumiu assim o momento: "É preciso refundar o Haiti". "O perdão da dívida não vai resolver as necessidades do Haiti, mas vai permitir que o país esteja credenciado a começar a estabelecer novas linhas de crédito junto ao sistema financeiro internacional", disse o presidente brasileiro ao pedir a anistia das dívidas junto ao FMI e ao Bird. Além de sobrevoar as áreas destruídas pelo terremoto de 12 de janeiro, Lula percorreu a pé os escombros da capital destruída, sempre ao lado do presidente haitiano, René Préval. A decisão foi um gesto político pensado, para mostrar que o país recebe ajuda de terceiros, mas é o governo haitiano que tem de estar presente na condução da reconstrução e da solidariedade à população. O terremoto matou pelo menos 200 mil pessoas, segundo números do governo local. "É importante que a gente, neste momento, fortaleça o governo do Haiti. É através do governo que temos de fazer política de solidariedade", afirmou Lula. Segundo relato do presidente, Préval disse que, no momento, o mais importante é "recolher os escombros do terremoto, de preferência pelas vilas, e fazer acampamento nos locais". A ideia é fazer pequenos acampamentos, e não grandes, nos locais onde as populações já viviam. Para isso, disse Lula, é preciso que se defina o tipo e o número de máquinas que serão necessários para acelerar esse trabalho de retirada os escombros Antes de assistir ao desfile das tropas brasileiras do batalhão Brabatt 1, que integra a missão das Nações Unidas (ONU) no Haiti, a Minustah, ao lado de Préval, do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o presidente disse à tropa: "Embora vocês não precisem de medalhas, eu poderia dizer que poucas vezes na história do Brasil as Forças Armadas foram motivo de tamanho orgulho para o povo brasileiro, como tem sido o seu comportamento e trabalho na Minustah!"