BRASIL
Terça-feira, 10 de Setembro de 2013, 21h:05
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SANTA CATARINA
Justiça condena sete por atentados
LUCIANO NASCIMENTO
Da Agência Brasil - Brasília
O juiz Gustavo Henrique Aracheski, titular da 2ª Vara Criminal da Comarca de Joinville, norte de Santa Catarina, condenou ontem sete homens por organizar, em fevereiro, atentados a ônibus no estado. Segundo a sentença, os condenados, que fazem parte da organização criminosa denominada Primeiro Grupo Catarinense (PGC), foram condenados a penas que, somadas, ultrapassam 78 anos de prisão em regime fechado. O magistrado entendeu que o grupo foi responsável por ordenar a prática de diversos atentados registrados naquela cidade no início deste ano. Foram incendiados cinco ônibus de transporte coletivo, em prejuízo superior a R$ 250 mil, em crimes ocorridos em pouco mais de 48 horas, entre os dias 1º, 2 e 3 de fevereiro deste ano. Também foram responsabilizados pelo ataque a tiros contra uma base operacional da Polícia Militar. De acordo com o juiz, os condenados arregimentaram executores para os crimes, dando o suporte necessário para a ação, o que envolvia o fornecimento de armas e veículos para deslocamento até os locais onde os delitos seriam cometidos. Como se vê, não lhes é atribuída a execução propriamente dita dos incêndios e dos disparos de arma de fogo, senão a responsabilidade por haverem difundido e organizado no âmbito da comarca de Joinville o cumprimento da ordem do comando-geral do Primeiro Grupo Catarinense (PGC) naquilo que foi chamado de "salve", analisou o magistrado. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do estado, foi a primeira sentença promulgada contra integrantes da organização criminosa. A condenação não faz parte das audiências que ocorrem desde segunda-feira em Itajaí, onde ocorre o julgamento dos 98 réus também acusados de integrarem o PGC e igualmente responsabilizados pelas duas ondas de atentados que atingiram Santa Catarina em novembro de 2012 e entre janeiro e março deste ano. JULGAMENTO O julgamento de 98 pessoas envolvidas em uma onda de atentados em Santa Catarina foi retomado ontem no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí. Eles são acusados de participação em 114 ataques em 37 cidades catarinenses, praticados entre novembro de 2012 a fevereiro de 2013. Foram registrados atentados, incêndios a ônibus e a carros particulares, além de ataques a bases policiais. A investigação policial concluiu que os 98 réus, integrantes de uma organização criminosa estabelecida nas prisões do estado, foram os responsáveis pelos atentados. Segundo o inquérito, a ordem dos ataques saiu de dentro das prisões. Escutas realizadas com autorização da Justiça apontaram a participação dos suspeitos. Marcada para anteontem, a primeira sessão do julgamento foi suspensa porque os advogados de defesa reclamaram das condições da sala improvisada como tribunal dentro do presídio. Na manhã de ontem, a juíza Jussara Wandscheer reabriu os trabalhos com o depoimento do delegado Procópio Batista, responsável pela investigação. O julgamento acontece no complexo penitenciário por causa do grande número de réus. Dos 98 acusados, 78 estão presos, 14 respondem em liberdade e seis estão foragidos. Os depoimentos de 23 réus, levados para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, serão tomados por videoconferência. Considerado um dos maiores já feitos do país, o julgamento deve terminar na quarta-feira da semana que vem.