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BRASIL
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014, 19h:55

VIDA PÚBLICA

José Sarney se despede do Senado

GABRIELA GUERREIRO
Da Folhapress – Brasília
Após 59 anos de vida pública, o senador José Sarney (PMDB-AP), 84, fez ontem seu discurso de despedida do Congresso. Com a mais longeva carreira da política brasileira, Sarney não terá mandato a partir de 2015 porque decidiu não disputar as eleições de outubro. No último discurso no Legislativo, o peemedebista fez duras críticas ao sistema político brasileiro e defendeu mudanças nas regras das empresas estatais para evitar ações de corrupção como as que atingiram a Petrobras. Sarney disse que as denúncias que envolvem a estatal "envergonham" o país e prometeu reapresentar projeto, de sua autoria, que cria um estatuto para as estatais. "Eu vou deixar como última presença minha no Legislativo esse projeto. Se tivesse sido feito, nós não teríamos esse problema que estamos tendo e lamentando, e de certo modo está envergonhando o Brasil, que é o problema da Petrobras." Ao defender uma ampla reforma política que inclui o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, Sarney disse que seu principal "erro" foi ter permanecido na vida pública após deixar a Presidência da República. "Penso que é preciso proibir que os ex-presidentes ocupem qualquer cargo público, mesmo que seja eletivo. Foi um erro que cometi ter voltado." Sarney disse não ser possível mais "tolerar" o sistema político brasileiro, responsável por "todo o resto" que acontece no país. O peemedebista defendeu a redução no número de partidos, a maioria formada por "feudos pessoais", assim como a implementação do sistema parlamentarista no Brasil. "A presidente Dilma marcará a história do Brasil se fizer essa mudança de regime para o país." Sarney também defendeu o fim das medidas provisórias, instrumento que o peemedebista considera a "deformação" do regime democrático. "O Executivo legisla e o parlamento fica no discurso. As leis são da pior qualidade e as MPs recebem penduricalhos que nada têm a ver com elas para possibilitar negociações feitas a serviço de lobistas." O senador disse ser favorável à fixação de um teto para as doações privadas às campanhas eleitorais, assim como o voto distrital e lista fechada para a escolha dos candidatos. DISCURSO Sarney falou para um plenário vazio. O peemedebista escolheu o primeiro horário dedicado aos discursos na sessão de ontem - que é tradicionalmente esvaziada no Senado - para fazer sua despedida. A escolha, segundo ele, foi proposital. "Eu quis fazer cedo para que não tivesse ninguém mesmo, para falar para as cadeiras vazias. Mas a Casa está enchendo", afirmou. Diversos senadores foram ao plenário homenagear Sarney. Com o fim do mandato, ele disse que vai dedicar seu tempo ao seu único hobbie: a leitura. "Acredito que passei 20% da minha vida lendo. Não tenho outra dedicação para encher meu ócio, senão o prazer de ler."

Edição EDIÇÃO 16967




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