BRASIL
Quarta-feira, 15 de Abril de 2015, 22h:08
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TESOUREIRO DO PT
João Vaccari Neto é preso em São Paulo
Segundo o delegado Igor Romário de Paula, o principal motivo da prisão preventiva de Vaccari Neto é a reiteração das atitudes criminosas
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso ontem na 12ª fase da Operação Lava-Jato. Vaccari foi preso em sua casa em São Paulo por volta das 6h e chegou à superintendência da PF em Curitiba por volta do meio-dia. A mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima, foi ouvida na própria residência do casal, num mandado de condução coercitiva (quando a pessoa obrigatoriamente depõe). O PT convocou uma reunião de emergência para discutir a prisão do tesoureiro da legenda. O encontro entre os integrantes da cúpula petista foi na sede da sigla, em São Paulo, ontem. No entanto, uma eventual decisão do partido só será tomada em reunião do diretório nacional, que já estava marcada para hoje. A cunhada do tesoureiro Marice Correa de Lima teve um mandado de prisão temporária emitido contra ela, informou a PF numa coletiva de imprensa realizada ontem em Curitiba. Os procuradores do MPF dizem que se ela não for localizada, pode ter a prisão temporária transformada em preventiva (por tempo indeterminado). Em despacho, o juiz Sergio Moro - da 13ª Vara Federal de Curitiba - justificou a detenção do tesoureiro do PT alegando que a manutenção dele em liberdade ainda oferece um risco especial, pois as informações disponíveis na data desta decisão são no sentido de que João Vaccari Neto, mesmo após o oferecimento contra ele de ação penal pelo Ministério Público Federal em 16/03/2015, remanesce no cargo de tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Os investigadores detectaram vários depósitos suspeitos nas contas da mulher, da cunhada e da filha de Vaccari o que, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, são indícios de lavagem de dinheiro. Dois apartamentos - um em nome da cunhada e outro em nome da filha de Vaccari - foram citados como parte do esquema. Além dos mandatos de prisão temporária, preventiva e condução coercitiva, um mandado de busca e apreensão foi cumprido nas residências de Vaccari e de Marice, as duas em São Paulo. Em março, a Justiça Federal havia aceitado denúncia do Ministério Público Federal e Vaccari se tornou réu sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A Justiça determinou a quebra de sigilo bancário e telefônico de Vaccari e suas mulher, filha e cunhada. A PF e o Ministério Público do Paraná apresentaram depósitos bancários suspeitos feitos em nome de Nayara de Lima Vaccari, de 27 anos, a filha do casal . De acordo com relatório da Receita Federal encaminhado à Força-Tarefa da Lava-Jato, foi detectado um significativo aumento patrimonial entre 2009 e 2014 de Nayara, que é médica. Neste mesmo período, a filha de Vaccari não declarou nenhum rendimento à exceção de uma bolsa de residente em Medicina por dois anos. De acordo com a RF, o patrimônio da médica cresceu de R$ 240 mil para mais de R$ 1 milhão no final de 2013. FECHADA A casa de Vaccari, no bairro de Moema, na Zona Sul de São Paulo, permaneceu fechada desde a prisão do ex-tesoureiro do PT. A família recebeu a visita apenas de Nayara, por volta das 8h. Os vizinhos falam que o casal é bastante discreto e se mudou para a casa há cerca de quatro anos. O ex-tesoureiro não teria apresentado resistência à prisão. Os investigadores citaram a compra de um apartamento por Marice de R$ 200 mil em São Paulo, que foi revendido à construtora OAS por R$ 480 mil. Mais tarde, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o mesmo imóvel foi vendido novamente pela OAS por menos de R$ 400 mil o que, segundo ele, é uma operação suspeita (...) típica de lavagem de dinheiro. Outro apartamento, em nome da filha da Vaccari, também foi citado pelos investigadores. Segundo eles, Nayara não tem recursos para realizar a transação. Esses apartamentos já apareciam nas investigações do Ministério Público Estadual de São Paulo relacionadas à gestão de Vaccari na Cooperativa do Bancários de São Paulo (Bancoop). E agora também fazem parte das investigações da Lava-Jato. Segundo o delegado Igor Romário de Paula, o principal motivo da prisão preventiva de Vaccari é a reiteração das atitudes criminosas. De acordo com o delegado, a função que o tesoureiro exerce facilita as operações de corrupção e desvio de dinheiro.