BRASIL
Sexta-feira, 27 de Junho de 2008, 20h:07
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A
CRIME DA MEGA
Habeas-corpus para cabeleireira
TALITA FIGUEIREDO
Da Agência Estado Rio
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça concedeu ontem, por unanimidade, um habeas-corpus à cabeleireira Adriana Ferreira de Almeida, acusada de matar seu marido, Renné Senna, em 7 de janeiro do ano passado. Ex-lavrador e deficiente físico, Senna ganhou R$ 52 milhões na Mega-Sena em 2005 e casou-se com a cabeleireira. A liberdade foi concedida em função da demora no julgamento da ré, que está presa há um ano e meio e teve a sentença de pronúncia que a levará a júri popular anunciada há nove meses. Ainda não há data prevista para o julgamento. A prisão cautelar foi decretada, exclusivamente, em razão da gravidade do crime, de acordo com STJ. Segundo a ministra Laurita Vaz, relatora do processo, não existe razão plausível para justificar o atraso no julgamento, já que ela foi pronunciada há nove meses. "O constrangimento ilegal está evidenciado. Não há qualquer elemento concreto individualizado capaz de justificar a custódia excepcional", afirmou a ministra durante o julgamento, segundo nota do STJ. De acordo com o advogado de Adriana, Jackson Costa Marques, a cabeleireira deverá permanecer na fazenda que pertencia ao casal e onde estão os filhos que ela teve de um primeiro casamento. "Não há fundamentação para sua prisão e ela já deveria ter sido libertada antes. Adriana é inocente e vamos provar isso no Tribunal do Júri", disse. Até o início da noite de hoje (27), ela ainda aguardava os trâmites burocráticos para sair do presídio feminino Nelson Hungria, no complexo de Bangu, zona oeste do Rio. Segundo o inquérito policial, Adriana contratou Anderson Silva de Souza, ex-PM e ex-segurança de Senna, para matar o marido.