BRASIL
Segunda-feira, 22 de Março de 2010, 21h:03
A
A
TSE
Governo consulta sobre regras de propaganda
MARIÂNGELA GALLUCCI
Da Agência Estado Brasília
Diante da tênue fronteira entre publicidade governamental e o arsenal de campanha da ministra Dilma Rousseff ao Planalto e para evitar problemas com a Justiça durante o processo eleitoral, a Secretaria de Comunicação da Presidência encaminhou uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) perguntando detalhes sobre o uso de nomes e símbolos do governo nos meses anteriores à eleição. Na semana passada, o TSE multou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por supostamente ter feito propaganda eleitoral antes do permitido durante um evento no Rio de Janeiro. Pela legislação eleitoral, durante a campanha, a publicidade institucional de atos, programas, obras e serviços somente pode ser veiculada em caso de grave e urgente necessidade pública reconhecida pela Justiça Eleitoral. A publicidade deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social e não poderão constar nomes, símbolos ou imagens que promovam autoridades ou servidores. Em caso de descumprimento dessa regra, o responsável, se for candidato, poderá ter o seu registro cassado. O TSE tem um entendimento fixado sobre o assunto. "A jurisprudência deste Tribunal tem assentado que, no trimestre anterior ao pleito, é vedada, em obras públicas, a manutenção de placas que possuam expressões ou símbolos identificadores da administração de candidato a cargo eletivo", decidiu o tribunal. "No trimestre anterior ao pleito, é vedada, em obras públicas, a manutenção de placas que possuam expressões ou símbolos identificadores da administração de concorrente a cargo eletivo", estabeleceu a decisão. Em junho de 2006, durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, o então presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, desautorizou o Ministério da Saúde a continuar a usar a logomarca de um programa de assistência odontológica. De acordo com o ministro, havia referência ao Ministério da Saúde e ao governo federal, cujo titular era Lula, candidato à reeleição. "A força da logomarca repercute sobremaneira no processo eleitoral, implicando verdadeira propaganda, como se o serviço anunciado expungisse do cenário nacional mazela relativa à saúde bucal do povo brasileiro", afirmou o ministro em sua decisão. Marco Aurélio completou: "Até hoje, o Brasil curva-se ao peso do vergonhoso título de campeão mundial em índice de cáries Tão notória e secular é a carência nessa área, que também nos cabe a alcunha de País dos Desdentados." E concluiu: "Parece óbvio que não será a divulgação da logomarca de um programa - veiculada, aliás, desde 2004 -, que acabará com o problema." Na consulta protocolada no TSE, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência pergunta se nomes de órgãos ou entidades responsáveis pela comunicação ou a expressão "governo federal" poderão ser usados para identificar as peças e o material de publicidade autorizados pelo TSE. A secretaria também indaga se os nomes dos órgãos já aplicados em material de publicidade distribuídos antes do período eleitoral podem ser mantidos.