Gilmar Mendes pede cautela em investigação de crime
EDUARDO KATTAH
Da Agência Estado - Belo Horizonte
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, cobrou ontem cautela dos agentes públicos envolvidos na investigação do assassinato da menina Isabella Nardoni para não "propiciar ou estimular" uma "sanha de justiceirismo." Mendes admitiu que leu pouco sobre o caso. "Mas aquilo que eu li mostra que há muitos desencontros de informações fornecidas por autoridades. Isso não é bom", salientou. Ele também lembrou que as investigações não estão concluídas. "Essas matérias todas demandam é muita cautela por parte dos agentes públicos envolvidos. Delegado, promotor, juiz nesse tipo de caso tem de ter muita cautela, exatamente para não alimentar informações desencontradas e não propiciar ou estimular às vezes uma sanha de justiceirismo." O presidente do STF disse que não tinha elementos para fazer juízo do pedido e do decreto de prisão preventiva, mas observou que a medida não pode ser tomada em razão do clamor público. "Não conheço o decreto de prisão preventiva. O Supremo Tribunal Federal tem uma jurisprudência no sentido de que clamor público não justifica prisão preventiva". Questionado, Mendes disse que a imprensa "cumpre a sua função" no caso. "Há um interesse geral e a imprensa, na verdade, acaba por intermediar esse tipo de interesse."