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BRASIL
Sexta-feira, 04 de Fevereiro de 2011, 20h:18

EGITO

Europa pede mudanças imediatas

Os líderes dos 27 países da União Europeia (UE) pediram ontem, em uma cúpula realizada em Bruxelas, que a transição democrática no Egito seja iniciada "agora". Os líderes europeus afirmam que o processo de transição deve começar logo, diz uma declaração conjunta, instando o regime de Hosni Mubarak a "satisfazer as aspirações do povo egípcio com reformas políticas e não com a repressão". Também fizeram uma advertência ao Cairo: levantaram a possibilidade de uma suspensão da ajuda europeia ao Egito, de 500 milhões de euros para o período de 2011 a 2013. Segundo a declaração, "a relação entre a UE e Egito deve reger-se pelos princípios estabelecidos no Acordo de Associação". As autoridades egípcias devem "responder às aspirações do povo egípcio à reformas, não com repressão", destacaram numa declaração comum. "Francamente, as medidas tomadas até agora não responderam às aspirações da população egípcia", resumiu o primeiro-ministro britânico, David Cameron, estimando que se a violência contra os manifestantes prosseguir, o regime perderá "o pouco de credibilidade e de apoio de que dispõe". De maneira velada, a UE também deixou pairar a ameaça de um questionamento de sua ajuda econômica ao país, se os "compromissos" tomados pelo Cairo, em matéria de respeito às liberdades públicas não forem cumpridos. No entanto, o chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, mostrou-se a favor de "uma transição democrática, mas sem ruptura com um presidente como Mubarak" que é "um homem sábio". A onda de contestação que abala o mundo árabe, no Egito, na Tunísia, no Iêmen, na Jordânia, leva a Europa a um doloroso questionamento de suas prioridades na região. Acusada de ter fechado por muito tempo os olhos aos desvios autoritários em seu flanco Sul, no mundo árabe-muçulmano, a UE demonstrou nesta quinta-feira a vontade de melhorar no futuro, dando prioridade às reformas democráticas na região. Os dirigentes europeus "estão prontos a uma nova parceria que inclua o apoio mais eficaz, no futuro, aos países que realizam reformas políticas e econômicas", diz a declaração da cúpula. A declaração aprovada pelos chefes de Estado e governo ressalta o objetivo da UE de apoiar o processo de democratização no Mediterrâneo, tanto através de viagens de altos cargos à zona como com a aprovação de medidas de respaldo. Essas medidas podem abranger desde a ajuda para a organização de eleições democráticas até a promoção dos investimentos e comércio na região, a fim de promover uma melhora das condições sociais na região.

Edição EDIÇÃO 16966




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