A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, relatora do inquérito contra o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), poderá autorizar, já a partir da semana que vem, uma série de diligências, entre elas a quebra de sigilo bancário e telefônico do parlamentar. Paulinho vai ser investigado por suposta participação num esquema de corrupção desbaratado pela Polícia Federal em contratos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No inquérito, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu autorização da Corte para investigar se Paulinho envolveu-se ou não no desvio de recursos em contratos do BNDES, que teria tramitado por contas de organizações não-governamentais (ONGs) ligadas ao deputado e ao lobista João Pedro de Moura. Na Operação Santa Tereza, que descobriu as fraudes, a PF apreendeu comprovante de depósito bancário de R$ 37,5 mil na conta da Meu Guri, ONG presidida por Elza Pereira, mulher de Paulinho. A força-tarefa da PF recolheu ainda no escritório de Marcos Montovani, também réu no processo BNDES, cópia de um cheque de R$ 18 mil, que teria sido destinado a Paulinho. No depoimento à polícia, o empresário declarou: "Esse cheque que era (para) Paulinho, era da Força Sindical, que o João Pedro levou para colocar em projetos que eles têm ou ONGs que ele tem".