BRASIL
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2008, 20h:36
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GRAMPOS/QUEDA
Direção da Abin é afastada por Lula
Depois das denúncias de grampo na conversa do presidente do STF, Gilmar Mendes, Lula, irritado, afastou toda a cúpula
LEONÊNCIO NOSSA
Da Agência Estado Brasília, DF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou temporariamente a direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), inclusive o diretor-geral do órgão, delegado federal Paulo Lacerda. A decisão foi confirmada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, que divulgará ainda hoje nota oficial sobre o assunto. A decisão do presidente ocorre após a divulgação de suposta gravação ilegal de conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), ocorrida em julho, segundo a edição desta semana da revista Veja. De acordo com assessores do governo, o comunicado não menciona os nomes dos demitidos. Esses assessores informaram que o afastamento, em princípio, é temporário e vai vigorar até o fim das investigações sobre as escutas clandestinas. O texto oficial vai ressalta, ainda que o presidente Lula decidiu pelo afastamento da direção da Abin para garantir "transparência" nas investigações sobre a gravações no STF, no Congresso e no Executivo. Após a acusação, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, já havia tomado duas providências: autorizou a realização de uma sindicância interna para apurar a responsabilidade da Abin no grampo e solicitou à Polícia Federal a abertura de inquérito. Por meio de seu porta-voz, o STF informou que o conselho de ministros "decidiu aguardar as providências exigidas pela gravidade dos fatos". Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Lacerda assumiu a diretoria-geral da Abin no ano passado com a incumbência de exercer mais controle sobre ela. De lá para cá, a agência já foi envolvida em dois casos rumorosos. No primeiro, por ocasião da operação Satiagraha, Lacerda negou o uso de grampos para contribuir com a Polícia Federal. Agora, o tema de escuta ilegal volta à berlinda. Legalmente, a Abin não tem prerrogativa de operar com escutas ilegais. Lula e ministros discutiram ontem o episódio da escuta telefônica ilegal em reunião da coordenação de governo. Na conversa com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e com os senadores Tião Viana (PT-AC) e Demóstenes Torres, no Planalto, Lula reafirmou sua confiança em Lacerda, mas não escondeu sua preocupação com o fato de a prática de escutas telefônicas ter sido recorrente em seu governo "O presidente disse que a situação é extremamente grave e que o grampo vem acontecendo sistematicamente", afirmou Tião Viana. "Ele afirmou que há um descompasso, que vai localizar esse descompasso e tomar medidas duras", prosseguiu. O general Jorge Felix, a quem a Abin é subordinada, afirmou que vem trabalhando para que a agência não saia de suas atribuições. Uma delas, o impedimento de fazer escuta telefônica. Além de Jorge Felix, participaram da reunião no gabinete de Lula o vice-presidente José Alencar e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio. O ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou quase ao final do encontro. Os senadores, por sua vez, prometeram acelerar a votação de projeto que trata sobre grampo, de autoria do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Preocupados com os rumores de que o grampo teria sido feito nos gabinetes do Senado, os parlamentares querem que isso também seja investigado. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, afirmou que a Casa tem uma central de telefone fechada, de fibra ótica, que acusa eventuais ruídos nas ligações. Ou seja, a central teria identificado a ocorrência de escutas ilegais o que, segundo ele, não aconteceu.