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BRASIL
Terça-feira, 06 de Abril de 2010, 20h:54

Desespero: famílias são soterradas

O rastro de destruição em várias partes da região metropolitana do Rio expôs histórias dramáticas. A cidade de Niterói teve o maior número de vítimas, 48 ao todo, em eventos espalhados por pelo menos dez áreas diferentes. Em Santa Teresa, centro do Rio, 14 pessoas morreram quando várias casas na encosta do Morro dos Prazeres vieram abaixo. E a expectativa da Defesa Civil era de que entre 10 e 15 corpos ainda poderiam ser encontrados debaixo dos escombros. Situações de dor e pânico ocorriam a todo instante. Em Niterói, no Morro do Estado, bombeiros trabalharam por 11 horas ininterruptas para retirar Maria Auxiliadora Gomes da Silva, a Dorinha, de 48 anos, debaixo de lama e pedras que se misturavam aos móveis de sua casa, que ruiu e desabou. Ela foi salva porque na queda acabou lançada para dentro de um armário. O marido de Maria Auxiliadora, Sebastião Pereira da Silva, acompanhou a ação dos bombeiros, amparado por parentes e amigos. Ficou aliviado ao ver o resgate da mulher, mas ainda esperava por notícias do filho, seu homônimo, de 22 anos. Logo depois, os bombeiros localizaram o rapaz. Estava morto. No Morro dos Prazeres, 60 homens e mulheres do Corpo de Bombeiros tiveram de interromper o trabalho de resgate à tarde por causa do aumento das chuvas, pois havia risco de novos deslizamentos de terra. Mais cedo, dezenas de moradores tomaram a iniciativa de começar a remoção dos escombros, antes mesmo da chegada dos bombeiros. Apesar da intensidade da tragédia, o poder público demorou para agir nos Prazeres. Seis corpos de vítimas do desabamento permaneceram horas no chão até a chegada da remoção. Até o início da tarde, o número de bombeiros atuando no local era ínfimo. DRÁMATICAS Uma das situações mais dramáticas no Morro dos Prazeres ocorreu ao longo da tentativa de resgate do menino Marcus Vinicius Vieira da França da Matta, de 8 anos. Levado para a casa de uma tia, depois que não conseguiu chegar ao colégio, o garoto foi soterrado e permanecia vivo sob os escombros até o início da noite de hoje. Mesmo com a forte chuva que caía na região, os bombeiros não pararam de cavar no local de onde vinham os gritos de socorro de Marcus Vinícius. Seu pai, Valmir, acompanhava cada minuto do resgate e comemorava a cada novo sinal de vida do menino. Um outro rapaz não identificado de 18 anos também foi resgatado dos escombros.

Edição EDIÇÃO 16967




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