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BRASIL
Sexta-feira, 31 de Julho de 2015, 20h:10

ADVOGADA/CPI

Depoimento está mantido, afirma Motta

Segundo ela, a pressão teria aumentado depois que o delator Júlio Camargo relatou um encontro com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), voltou a afirmar ontem que está mantido o depoimento da advogada Beatriz Catta Preta, que defendeu nove investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A declaração de Motta ocorre após a entrevista da advogada ao Jornal Nacional, da TV Globo, em que disse ter sido ameaçada por integrantes da comissão. “O requerimento de convocação é um requerimento que está previsto em lei, previsto pelo Regimento Interno da Casa e não configura qualquer ameaça. A CPI não ameaça. Investiga”, afirmou. Motta disse que estranhou as declarações da advogada sobre ameaças e avaliou a entrevista como uma tentantiva de “vitimização para esconder atos ilícitos”. “A CPI não vai admitir essas ilações", acrescentou. "A CPI vai continuar seu trabalho, vai continuar as investigações. Esta vitimização não vai nos intimidar. Quem tem que prestar esclarecimentos sobre as ameaças que recebeu agora é ela e a CPI pode ser grande palco para ela dizer quem a esta ameaçando”, completou. CARDOZO O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, comentou ontem, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio, a decisão da advogada Beatriz Catta Preta, defensora de nove delatores da Operação Lava-Jato, de abandonar a profissão por se sentir ameaçada. Para Cardozo, a denúncia é "grave": “Evidentemente é uma denúncia grave e caberá ao Ministério Público Federal, que conduz a questão das delações premiadas, tomar as decisões cabíveis para apuração”, disse após participar do encerramento do 9º encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Catta Preta foi convocada para dar explicações sobre a origem de seus honorários. A pressão sobre a defensora, segundo ela, teria aumentado depois que o delator Júlio Camargo relatou um encontro com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em 2011, em que o deputado teria lhe pedido US$ 5 milhões em propina. Cunha nega a acusação. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar para dar à advogada o direito de não responder a perguntas de integrantes da comissão. Ontem, o presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), manteve a convocação da advogada e justificou que ela poderá esclarecer na comissão que tipo de ameaças estaria sofrendo. “A CPI continua sendo a oportunidade para ela dizer quais são as ameaças, esclarecer o que está sofrendo. A CPI quer saber quem a ameaçou. A CPI investiga, não ameaça ninguém”, disse Motta. O presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), partiu para o ataque ontem ao dizer que ela “usa a vitimização” para esconder possíveis “atos ilícitos”. Sem dar detalhes, Motta disse haver “indícios” de irregularidades no recebimento de honorários pela advogada que atuou em nove dos 22 acordos de delação firmados no âmbito da Operação Lava Jato. “O que é mais estranho é uma advogada criminalista alegar que está sendo ameaçada e não trazer nenhum fato concreto. E vir a um jornal de rede nacional querer usar a vitimização para esconder, talvez, alguns atos ilícios que ela tenha cometido no âmbito do processo da Lava Jato”, disse o deputado do PMDB. Apesar de reiteradamente questionado pelos jornalistas sobre os “indícios” que diz haver contra Catta Preta, Motta não quis detalhar. “Existem indícios que estão sendo apurados”, disse.

Edição EDIÇÃO 16967




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