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Quinta-feira, 12 de Abril de 2012, 21h:50

DENÚNCIAS

Demóstenes diz a senador que provará inocência

MARCOS CHAGAS
Da Agência Brasil – Brasília
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) disse ontem, no Conselho de Ética, que provará sua inocência sobre as denúncias de envolvimento em um esquema de exploração de jogos ilícitos em Goiás e Brasília, comandado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ele avisou anteontem ao então presidente interino e agora eleito, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) que apresentaria alguns questionamentos regimentais sobre a reunião de terça-feira. Demóstenes disse aos senadores do conselho que apresentará no prazo de dez dias úteis, definido por Valadares, sua resposta por escrito e mais adiante comparecerá para se defender pessoalmente e provar sua inocência no caso. AGNELO A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, que deverá ser instalada na semana que vem, vai exigir do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), explicações sobre a suposta cobrança de fatura por parte da Delta Construções por supostas doações eleitorais. 'O governador de Brasília terá de explicar isso na CPI', disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos dois titulares dos tucanos da Câmara na Comissão Parlamentar. De acordo com as gravações feitas pela Polícia Federal para a Operação Monte Carlo, que desmontou o esquema feito pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a empresa negociava facilidades diretamente com a cúpula do governo de Brasília. Nas conversas gravadas na Operação Monte Carlo, reveladas ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo, aliados de Carlinhos Cachoeira, segundo a PF, dizem que a diretoria da empresa no Rio exigia agora, em contratos, a contrapartida pelas doações. E fazia pressão no Palácio do Buriti por nomeações e liberação de verbas. Ao todo, a Delta consta como doadora de R$ 2,3 milhões a comitês partidários no País. A prestação de contas de Agnelo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não registra doação da empresa, em indício de caixa 2, segundo investigadores. Do total, R$ 1,1 milhão foi destinado ao Comitê Nacional do PT e o restante ao PMDB. De acordo com a Polícia Federal, assim que Agnelo foi eleito, a Delta tentou emplacar aliados em cargos-chave de administrações regionais e do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) de Brasília, o que facilitaria seus negócios. Além disso, tentava receber débitos do GDF por serviços supostamente prestados. Para o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP,), as exigências feitas pela Delta para receber a fatura do governador Agnelo Queiroz mostram que é preciso mudar o sistema de financiamento das campanhas. 'Isso vai nos levar a tratar do tema. Essas cobranças de faturas, que não devem acontecer só aqui na capital, são fruto do financiamento privado. Por isso é que nós defendemos o financiamento público de campanha. Só a mudança acabará com esse tipo de coisa, em que empreiteiros exigem contratos e outras benesses depois da eleição', disse Tatto.

Edição EDIÇÃO 16962




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