BRASIL
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008, 20h:09
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SOLTO
Decisão da Assembléia tira Lins da prisão
O ex-chefe da Polícia foi preso quinta-feira em flagrante de lavagem de dinheiro pela Operação Segurança Pública S/A da Polícia Federal
PEDRO DANTAS, TALITA FIGUEIREDO e CLARISSA THOMÉ
Da Agência Estado Rio
Por 40 votos a 15, a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou o Projeto de Resolução 623/2008 e libertou o deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, preso em flagrante de lavagem de dinheiro pela Operação Segurança Pública S/A da Polícia Federal, na quinta-feira. Menos de uma hora após a votação, Lins saiu da prisão em um carro oficial da Presidência de Comissão da Assembléia Legislativa e seguiu para seu apartamento em Copacabana, na zona sul, avaliado em mais de R$ 1 milhão e apontado como prova do seu enriquecimento ilícito, sem falar com os jornalistas. O advogado do parlamentar, Manuel de Jesus Soares, disse que ele deve se manifestar sobre a prisão apenas na semana que vem e anunciou que entrará com um habeas corpus para a libertação do sogro de Lins, o vereador Francis Bullos. A ex-mulher de Lins, Sissy Bullos Lins, obteve relaxamento de prisão e foi solta na madrugada de ontem. O delegado Ricardo Hallak, que substituiu Lins no comando da Polícia Civil no governo Rosinha Matheus, se apresentou na noite de ontem (29) à Polinter e foi transferido para presídio Bangu 8, na Zona Oeste. Entre os 11 com mandados de prisão expedido, apenas o inspetor de polícia Hélio Machado da Conceição, o Helinho, continua foragido. A vitória folgada de Lins começou ainda pela manhã após a Mesa Diretora acatar o parecer da Procuradoria Geral da Assembléia Legislativa, que determinou que a prisão do parlamentar foi ilegal e arbitrária. GAROTINHO O ex-governador Anthony Garotinho disse ontem, em seu programa diário na Rádio Manchete, que é vítima de perseguição política. Ele afirmou que sabe "quem está por trás" das acusações que levaram os procuradores da República a denunciá-lo como chefe político de quadrilha armada que usava a estrutura da Secretaria de Segurança num esquema de cobrança de propina. "Eu tenho absoluta certeza de quem está por trás disso para tentar prejudicar minha imagem, mas vou esperar o momento oportuno para dizer à população do Rio de Janeiro. Vou juntar as provas", afirmou o ex-governador. Hoje, ele não gravou seu programa, que tem três horas de duração. Ele participou por telefone, de casa. O ex-governador refutou a acusação de chefiar quadrilha armada. "Eu nunca peguei num revólver para dar tiro na minha vida. As pessoas que me conhecem sabem que a única arma que eu uso é a Bíblia", disse. No programa, ele ainda comentou sobre "a falta de provas". "Estou tranqüilo e sereno. Não revidarei o mal com o mal. Sei que querem me fazer mal, mas não tenho nem que me defender porque, se o meu acusador diz que não tem provas contra mim, do que eu vou me defender?" Ele volta a dizer que sabe o que "está por trás" da ação da PF. "Sei exatamente o que está por trás disso: as eleições deste ano. Sei exatamente quem está por trás disso. As investigações mostrarão que jamais me envolvi com nenhum fato errado. Nunca recebi dinheiro de jogo de bicho ou de máquinas caça-níqueis."