O Brasil deve se submeter à jurisdição da Corte Internacional de Haia caso o Tribunal seja convocado a se posicionar no processo de extradição do ex-ativista Cesare Battisti. O país também pode sofrer sanções caso não cumpra uma possível condenação. É o que defende o professor especialista em direito internacional da Universidade de Brasília (UnB), Antônio de Moura Borges. A Itália sinalizou com a possibilidade de questionar a decisão brasileira, confirmada na última quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de manter o italiano no Brasil. Segundo o especialista, o acordo sobre conciliação e resolução de conflitos, assinado pelos dois países, determina que, em caso de dúvida sobre interpretação de norma de tratado, será formada uma comissão de conciliação para analisar o fato. O tratado também prevê que, caso a comissão não logre êxito para as duas partes, elas se comprometem a acatar a jurisdição de Haia, diz o professor, lembrando que pouca gente fez referência a este tratado até agora. Borges argumenta ainda que, caso a Corte de Haia entenda que o Brasil descumpriu o tratado e o Brasil insista em manter Battisti no país , o Brasil pode ser responsabilizado internacionalmente. A principal sanção que existe em órgãos internacionais é a expulsão do país que não cumpre as deliberações da instituição. Essa é uma sanção muito vigorosa, afirma o professor. Ele ainda afirma que o STF se equivocou na interpretação do tratado. Alguns tratados de extradição dizem que o presidente poderá conceder a extradição. No caso do acordo com a Itália, o termo usado é 'deverá', diz o professor.