Os detalhes da mobilização que a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) organizará para contra-atacar o voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto favorável à demarcação contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, serão definidos em reunião marcada para o dia 16, na sede da entidade, em Brasília. No julgamento, adiado pelo pedido de vista do ministro Menezes Direito, Britto defendeu a retirada de todos os não-índios da reserva, inclusive dos produtores de arroz que, segundo o governo de Roraima, respondem por 6% da economia do Estado. O presidente da Comissão Nacional de Assuntos Fundiários e Indígenas da CNA, Leôncio de Souza Brito Filho, adiantou que a entidade realizará ampla campanha na mídia para conscientizar o brasileiro sobre a "insegurança jurídica" que afeta o crescimento do setor produtivo. Além disso, mobilizará as 27 federações estaduais e 2.500 sindicatos rurais do País. Souza Brito explica que o relatório do ministro foi apenas o estopim para o que chama de crise de "intranqüilidade jurídica" que ameaça o direito à propriedade. "A proposta já tinha sido aprovada na última reunião da Comissão, realizada em Mato Grosso". Ele criticou o Executivo e o Legislativo ao enumerar que "não existem ações efetivas para garantir a produção".