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BRASIL
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010, 03h:02

Brasileiro continua desaparecido

LUCIANA NUNES LEAL e BRUNO BOGHOSSIAN
Da Agência Estado – Rio
Segunda maior autoridade civil das Nações Unidas no Haiti, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, de 60 anos, passou as festas de fim de ano com a família em sua casa, em Nova York, e voltou a Porto Príncipe no dia 4 de janeiro. Na tarde de ontem, sua mulher, Cristina, ainda aguardava alguma informação sobre o marido, desaparecido. "Não temos nenhuma notícia, ele está desaparecido. Estão fazendo o possível, mas ainda não sei de nada. Não tive nenhum contato com o Haiti, só com a ONU aqui em Nova York. Estou esperando um telefonema com notícias a qualquer hora", disse Cristina, apreensiva mas esperançosa, por telefone. Costa foi designado representante especial adjunto na ONU no Haiti em novembro de 2006, depois de missões na reconstrução de países como Libéria e Camboja. Nascido no Rio de Janeiro, mora há mais de 40 anos em Nova York e começou a trabalhar na sede da ONU em 1969, como mensageiro. Tornou-se um dos mais importantes funcionários das Nações Unidas, onde conheceu e tornou-se amigo do alto comissário Sérgio Vieira de Mello, morto em agosto de 2003, durante atentado terrorista no Iraque, onde cumpria missão de paz. Em entrevista à revista "Brasileiros", em agosto de 2008, Costa lembrou que, no dia da morte de Vieira de Mello, ficou durante 45 minutos em uma ligação direta com Bagdá mas, aos 23 minutos, perdeu contato com a voz do amigo e colega. "Foi muito difícil", disse o alto funcionário da ONU à revista. Em fevereiro de 2009, Costa falou à revista "Plurale" sobre o trabalho no Haiti e voltou a lembrar Vieira de Mello. "Uma belíssima figura", descreveu. Na ocasião, durante passagem pelo Rio, Costa mostrou pouca desenvoltura para posar para fotos. "Minha missão é trabalhar, ajudar os outros. Detesto aparecer", disse Costa à "Plurale". Entre as atribuições de Luiz Carlos da Costa no Haiti, está a integração entre as forças civis, militares e policiais. Na entrevista à "Plurale", Costa disse que a população haitiana é "muito ordeira e pacífica", mas que ainda há gangues hostis à missão de paz. Também lamentou a resistência de empresas privadas em se instalarem no Haiti. "Acredito realmente que, com um pouco mais de ajuda internacional, será possível termos um Haiti livre da violência, com toas as crianças na escola e emprego garantido para todas as pessoas", disse o alto funcionário da ONU, menos de um ano antes da tragédia que matou um número ainda desconhecido de pessoas e devastou grande parte da capital.

Edição EDIÇÃO 16967




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