BRASIL
Sexta-feira, 15 de Junho de 2012, 21h:12
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RIO+20
Brasil se esforça para que líderes examinem documento
O Brasil quer levar o mínimo de controvérsias para os chefes de Estado e Governo que vão examinar o documento em negociação na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) por representantes de mais de 190 países. O secretário executivo da delegação brasileira na Rio+20, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, disse que, para buscar consenso nas negociações ainda repletas de pontos polêmicos, os articuladores intensificarão as reuniões para concluir o texto final. Há temas que requerem um esforço conciliador maior, como a questão dos meios de implementação e transferências de tecnologias [limpas]. Os tradicionais doadores se retraem. É natural que se queira um esforço maior e mais tempo, disse Figueiredo, lembrando que, a partir de hoje os negociadores, liderados por brasileiros, farão consultas informais na tentativa de obter acordos gerais. Segundo Figueiredo, não há obstáculos novos nas negociações, mas os ajustes podem ser feitos até o próximo dia 19, véspera da reunião de cúpula da conferência. Os chefes de Estado e Governo se reúnem na próxima semana, de 20 a 22. A expectativa brasileira é a de que o texto "progrida harmonicamente". Não é razoável que apenas parte do texto seja limpo, é natural que haja arrefecimento em certas áreas. Como terminaram oficialmente ontem à noite as reuniões das delegações, o governo brasileiro não assume imediatamente a presidência do evento, mas a coordenação como país-sede do evento. A partir daí, a delegados brasileiros vão acompanhar as negociações informais que continuarão sendo conduzidas em quatro grupos. Começaremos um processo de consultas informais. Será uma continuação do esforço conciliador com o objetivo de promover convergências nos pontos negociados. O Brasil não tem texto na manga, nem surpresa. Vamos continuar no processo, garantiu Figueiredo. O embaixador explicou que, a partir de agora, os negociadores terão que ser mais objetivos em relação ao texto. Não haverá mais tempo para mudar a forma, apenas o conteúdo. Segundo ele, a intenção é discutir apenas pontos imprescindíveis. Não será mais hora de por texto na tela e mudar verbos. A ideia é que o prazo final seja dia 19. Não há por que esticar uma negociação. Vamos terminar a tarefa que temos pela frente, acrescentou. Acordo geral - A presidenta Dilma Rousseff viaja amanhã para Los Cabos, no México, onde ocorre a Cúpula do G20 grupo que reúne as maiores economias mundiais determinada a buscar um acordo geral referente às divergências, que restam para alinhavar o texto final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. No México, ela aproveita a oportunidade para apelar aos líderes políticos que não participarão da conferência no Rio de Janeiro para que cooperem com as negociações em curso. Em Los Cabos, Dilma deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, além do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. Obama, Merkel e Cameron são as principais ausências na Rio+20, cuja previsão é reunir 115 chefes de Estado e de Governo, de 20 a 22 de junho. O secretário executivo da delegação do Brasil na Rio+20, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, reiterou ontem que a presidenta vai a Los Cabos com um relato completo sobre as negociações em curso no Rio de Janeiro. A ideia é apresentar aos líderes políticos um documento final com o mínimo de controvérsias, embora as divergências, neste momento, ainda dominem os debates. Os próprios líderes estrangeiros sabem a importância da conferência. Eles mesmos trazem o tema [da conferência, para as conversas com as autoridades brasileiras], disse o embaixador. [A presidenta] vai levantar os pontos importantes da conferência. Ela viajará com uma informação completa do que está ocorrendo aqui. O Brasil assumiu ontem à noite o comando das negociações. Pela frente, há uma série de desafios a enfrentar, como dirimir as controvérsias envolvendo os meios de implementação, que são as definições de metas para curto, médio e longo prazo; o que vai discriminar as ações para a governança global; o que vai definir as metas relativas ao desenvolvimento sustentável em si, como água e energia, além das propostas relativas à economia verde.