BRASIL
Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011, 21h:12
A
A
COMBATE AO TRÁFICO
Brasil faz acordo com a Bolívia
VANNILDO MENDES
Da Agência Estado Brasília
Para enfrentar a tráfico de cocaína e de crack, que toma conta das cidades brasileiras, o governo federal vai replicar na Bolívia o mesmo acordo com o Paraguai que permitiu reduzir drasticamente a oferta de maconha no território nacional. No caso boliviano, o alvo é a produção de folhas de coca em áreas ilegais e os laboratórios de refino e produção de pasta-base. Mais de 50% da cocaína e derivados consumidos no mercado brasileiro provém da Bolívia, segundo estimativa da Polícia Federal. Além de operações conjuntas entre a Polícia Federal e as forças bolivianas, o governo brasileiro vai oferecer o compartilhamento de dados e imagens produzidos pelo veículo aéreo não tripulado (vant). O primeiro dos três modelos adquiridos de Israel encerrou a fase de testes e começa a operar a plena carga no final deste mês. Controlado à distância por operadores em terra, o vant tem autonomia de 40 horas, gera imagens de alta qualidade transmitidas em tempo real e é considerado uma arma valiosa na guerra contra o tráfico de drogas na fronteira. Outros dois aparelhos chegam ainda este ano. Com 20 técnicos treinados para operar o vant, incluindo pilotos e analistas de imagem, a primeira base operacional já está em funcionamento na região de Foz do Iguaçu. No futuro o acordo para combate compartilhado ao narcotráfico na fronteira vai se estender para o Peru, a Colômbia e a Venezuela e assim por diante, até atingir os mais de 16 mil quilômetros de fronteira seca. PACOTE A negociação com países vizinhos para o combate à produção e consumo de drogas faz parte do pacto nacional contra o crime organizado e a violência, anunciado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. As bases do acordo de cooperação com o governo boliviano, porém, já haviam sido costuradas pelo ex-ministro Luiz Paulo Barreto em dezembro, que deixou assinados os primeiros atos. Cardozo programou visitar a Bolívia no começo de fevereiro para finalizar detalhes das operações conjuntas, que devem começar ainda este ano. O pacto envolve três frentes de negociação. A primeira, com os Estados, Cardozo começou esta semana pelo Rio de Janeiro e prossegue na próxima com São Paulo e Minas na próxima semana. Outra frente representa uma sintonia fina com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas, que tiveram papel decisivo nas operações que tomaram territórios do tráfico no Rio, modelo que pode ser usado em outras metrópoles com grave problema de violência. A terceira frente é com os governos de países fronteiriços. BALANÇO No caso da maconha, conforme balanço divulgado ontem pela PF, foram apreendidas 154,3 toneladas no País, cerca de 16% mais do que em 2009. Mais de um terço das apreensões (57,1 toneladas) ocorreu no âmbito da Sentinela. O aumento na apreensão parece pouco, mas na verdade foi um golpe duro para os narcotraficantes, que já vinham sofrendo perdas significativas com o programa de erradicação maciça de plantações, desencadeado primeiro no território brasileiro e depois mediante acordo com o governo paraguaio.