BRASIL
Quarta-feira, 09 de Maio de 2007, 21h:04
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Apesar do ultimato, negociação continua em impasse
Por Kelly Lima e Irany Tereza
Rio, 09 (AE)
A reunião entre os presidentes da Petrobras Bolívia, José Fernando Freitas, da YPFB, Guillermo Aruquepa, e do ministro boliviano Carlos Villegas ontem, se estendeu por três horas e manteve o impasse sobre a venda das duas refinarias controladas pela estatal brasileira naquele país. No fim da tarde, o mercado recebeu mal as primeiras informações de que o acordo havia sido fechado com o valor de US$ 110 milhões. A Petrobras só negou a veracidade da informação no início da noite, divulgando, por meio de sua assessoria, que a situação permanecia a mesma e que continuava aguardando um acordo com os bolivianos até o fim do prazo estipulado, previsto para hoje às 12 horas (horário de Brasília). A onda de especulações começou na Bolívia por volta das 15 horas (horário local) e logo repercutiu no Brasil. Analistas, especialistas e técnicos ressaltaram o fato de a Petrobras ter pago US$ 104 milhões pelas duas plantas em dezembro de 1999 e ainda ter investido nos últimos anos na modernização das unidades, responsáveis pelo abastecimento de todo o mercado de gasolina e combustível de aviação e pela maior parte do de diesel do País. "O valor que pode ter sido fechado agora é baixo, mas não havia outra saída. Ir para arbitragem internacional iria ser um custo político muito arriscado para a Petrobras", comentou o professor da UFRJ, Giuseppe Baccocolli, antes do desmentido da estatal. Para o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), Adriano Pires, o acordo nesses termos indicaria uma clara "vitória de Evo Morales". "A Petrobras fecha o acordo pela metade do que havia proposto inicialmente e o presidente boliviano, apesar de ter falado em valores de US$ 50 milhões e US$ 60 milhões, paga exatamente com o que queria, que era o valor patrimonial pelo qual as refinarias foram privatizadas. Foi um blefe de mestre ter feito oferta mais baixa. Ponto para ele", considerou. Para um analista de instituição financeira de São Paulo, a Petrobras não deveria estender mais do que o necessário a negociação com a Bolívia, porque desde o decreto lançado no último final de semana - pelo qual o governo local assumiu o controle sobre a comercialização dos derivados - as atividades, que já eram pouco rentáveis, passaram a trazer prejuízos para a estatal. "Quanto mais tempo a empresa ficar com esse mico na mão mais estará perdendo", avaliou. Já o consultor Douglas Abreu, da Gas Energy, contemporizou: "Não dá para dizer se o valor é justo ou não. A Petrobras deve receber metade do que queria, mas tem que ser ressaltado que a Bolívia vai pagar o dobro do que pretendia. O importante é que houve a negociação e isso mostra à Bolívia que não dá para ganhar todas no grito", comentou.