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BRASIL
Sábado, 18 de Agosto de 2012, 14h:05

MUTIRÃO NO ACRE

Amapá volta a fazer mutirão de cirurgias em escalpelados

Cerca de 40 cirurgiões plásticos voluntários retornam ao Amapá para realizar a segunda etapa de procedimentos em vítimas de escalpelamento. Em maio deste ano, 32 pacientes receberam próteses expansoras do couro cabeludo, que agora serão retiradas pelos médicos. O escalpelamento é uma lesão considerada grave porque as vítimas têm o couro cabeludo e outras partes do rosto arrancados total ou parcialmente. Os acidentes ocorrem em embarcações artesanais que têm o motor descoberto e localizado no centro para ajudar no equilíbrio. Quando mulheres, homens ou crianças de cabelos longos se abaixam para tirar água do fundo do barco, os fios se enroscam no eixo e ocorrem as mutilações. Em entrevista à Agência Brasil, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luciano Chaves, explicou que a prótese expansora colocada nos 32 pacientes consiste em um balão de silicone conectado a uma válvula que, semanalmente, injeta soro fisiológico. Agora, os cirurgiões farão uso do couro cabeludo destendido para cobrir áreas onde não há cabelo (cirurgia reparadora). O mutirão pretende atender ainda 30 novos pacientes – a maioria, escalpelada há 20, 30 ou mesmo 40 anos. Segundo Chaves, uma senhora de 70 anos precisou esperar 58 anos para passar pela cirurgia plástica. “Como eles permanecem muitos anos escalpelados, existe uma exposição solar muito frequente dessa região sem o couro cabeludo e esses pacientes estão desenvolvendo tumores nessa área”. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estimam que pelo menos 300 pessoas tenham sofrido algum tipo de escalpelamento na região entre Belém e o estado do Amapá.

Edição EDIÇÃO 16962




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