BRASIL
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012, 22h:00
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CASO CELSO DANIEL
Acusação e defesa de réus batem boca
Depois de horas de debate, houve bate-boca no júri de três réus acusados pela morte do prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), que acontece nesta quinta-feira no Fórum de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo). O julgamento começou às 11h e a previsão era de que terminasse ontem mesmo. Durante sua sustentação oral, o advogado José Ribamar do Lago Júnior, que defende Rodolfo Rodrigo dos Santos (Bozinho), contestou uso de uma testemunha protegida que relatou à Promotoria ter ouvido diálogo dos réus narrando que mataram o prefeito. "Nem o delegado acreditou [na versão]", disse. Ele reclamou que a testemunha não foi chamada para depor no júri. "Não sou advogado cadeieiro, não sou advogado vagabundo que passa nome de testemunha para bandido ir lá matar", afirmou Lago Júnior. "Se o senhor levantar a voz, eu também vou levantar", reagiu o promotor Márcio Friggi. "O senhor vai seguir na linha de enganar os jurados?" O advogado reagiu: "Não vou lhe dar aparte, se quiser a réplica, estou aqui", disse, batendo contra no peito. Celso Daniel foi encontrado morto, com oito tiros, numa estrada de terra em Juquitiba (SP) após dois dias de sequestro em janeiro de 2002. Na época, ele havia sido escolhido para coordenar a campanha que levou o ex-presidente Lula ao poder. Os réus são acusados de homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa e sem direito de defesa da vítima. A pena máxima é de 30 anos. Em interrogatório, Ivan Rodrigues da Silva (Monstro), José Edison da Silva e Rodolfo Rodrigo dos Santos (Bozinho) negaram participação no assassinato e disseram ter sido torturados pela polícia. Já dois outros acusados, Itamar Messias Silva dos Santos e Elcyd Oliveira Brito (John), tiveram o julgamento remarcado para o dia 16 de agosto porque seus advogados abandonaram o júri. Os advogados deles reclamaram que teriam menos tempo para apresentar a defesa do que o Ministério Público para sustentar a acusação. Em sua sustentação, o promotor defendeu que o assassinato está vinculado a um esquema de desvios de verbas da prefeitura para financiar campanhas do PT. De acordo com ele, o grupo foi contratado pelo ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, para matar o prefeito, que teria descoberto que parte do dinheiro que deveria abastecer o PT foi desviado pelos envolvidos no esquema de corrupção. Principal acusado, Gomes da Silva ainda não foi julgado porque sua defesa conseguiu uma série de recursos judiciais. Ele responde em liberdade e questiona no STF (Supremo Tribunal Federal) o poder de investigação do Ministério Público em casos criminais. Presente ao julgamento, Bruno Daniel, irmão do prefeito e defensor da tese de crime político, afirmou que os argumentos dos réus são frágeis. "Eles estão no direito deles."