BRASIL
Sexta-feira, 20 de Junho de 2014, 19h:11
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PSB/DILMA
Acordo retira palanque exclusivo
ADRIANO BARCELOS
Da Folhapress Rio
Uma decisão "aos 45 minutos do segundo tempo", nas palavras do senador e candidato ao governo do Rio Lindbergh Farias (PT), pode agregar à chapa dele o deputado federal Romário (PSB), que disputará uma vaga no Senado, e produzir uma situação estranha no tabuleiro da eleição presidencial: um palanque dividido no Estado para os adversários Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB). Ontem, os petistas foram até a sede do PSB e formalizaram o convite. A convenção regional dos socialistas ocorrerá hoje, e a expectativa é de que a coligação seja reafirmada oficialmente. O PT de Lindbergh Farias calcula que pode chegar a cerca de cinco minutos e meio na TV, caso agregue o PSB e o PROS, que está sem parceria desde que o deputado Miro Teixeira (PROS) retirou sua candidatura ao governo estadual. Lindbergh estava radiante com a adesão de Romário e do PSB. Minimizou o fato de que Dilma terá que dividir o espaço que seria só dela no caso de os socialistas não se somarem à coligação. "Romário já era candidato de Campos, e o PT vai fazer campanha para a Dilma. É simples, uma frente pelo Rio. Vamos ter vários encontros, mas para mim está muito claro como é: o PT irá com a Dilma", afirmou. O esboço da parceria, segundo o PSB, está em aberto. Há exemplo do que deve ocorrer no "Aezão", movimento do PMDB e aliados do governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB), que disputa a reeleição, os materiais de campanha terão as mais variadas composições. No "Aezão", partidários do PMDB (da base de Dilma) farão campanha por Aécio Neves (PSDB) à Presidência. Com a coligação que se desenha, não será estranho um mesmo santinho pedir votos para Lindbergh (PT) e Eduardo Campos (PSB). Lindbergh e Campos em algum ato de campanha juntos é improvável hoje, mas pode ocorrer no futuro. "Esse palanque (da composição entre PT e PSB) ainda está sendo construído. Não quero me adiantar", afirmou o deputado Glauber Braga (PSB-RJ), que deverá assumir a presidência do partido no Rio a partir da convenção do sábado. Está claro que os socialistas tentarão algum tipo de vinculação com a chapa de Lindbergh em favor de Campos, e que este limite será dado pelos petistas ao longo do trabalho. As posições na coordenação de campanha, que possui peso ao definir a agenda do candidato e na confecção dos materiais, também estão em aberto. O vice de Lindbergh será do PV, Roberto Rocco, e a coligação conta ainda com o PC do B - a deputada federal Jandira Feghali (PC do B) concorreria ao Senado, mas abriu mão da candidatura em favor de Romário. A FORMAÇÃO DA CHAPA Eduardo Campos havia reiterado na quarta-feira) apoio à candidatura de Miro Teixeira ao governo do Rio. O movimento, contudo, era um forma de evitar mais uma rusga com sua pré-candidata a vice, Marina Silva, que já fora contrariada no apoio do PSB à reeleição do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O nome de Miro, porém, já não contava com o apoio da maioria dos deputados do PSB-RJ. Em carta ao presidente regional do Pros, Hugo Leal, Miro reconhecia a falta de união em torno de seu nome no partido e no PSB. A direção regional pessebista avaliou que a pré-candidatura não decolou. Na última pesquisa do Ibope, ele aparecia com apenas 1%. O que deixou o PSB nacional sem palanque no Estado e abriu caminho para apoiar a chapa petista. "A falta de ambiente para uma coligação efetiva ficou muita clara na ausência do partido à recepção a Eduardo Campos ao pé do Morro da Mangueira, quarta-feira passada. Lá esteve Romário, a quem estimulei, em várias oportunidades, a disputar o Senado. A ele, reitero meu apoio, ao mesmo tempo em que peço ao Pros que faça o mesmo. O tempo dedicado a intermináveis e recorrentes conversas e trocas de notas oficiais dos partidos nas últimas semanas foi o prenúncio de uma campanha eleitoral litigiosa entre aliados, o que me parece impróprio", disse Miro na carta.