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ARTIGO
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009, 00h:24

MARIANNA PERES

Virada milionária

Quem quer ser um milionário? Se a perguntava fosse feita em pleno final de campeonato brasileiro no Maracanã lotado, não haveria uma mão sequer que não fosse ao alto indicando a sua vontade. Mesmo com os atropelos do final de ano, não há quem não fique ouriçado com a possibilidade de ganhar uma verdadeira fortuna, justamente na virada do ano. Com tantos desejos represados todas as atenções se focam na mega-sena da virada que tem estimativa inédita de sortear, no dia 31 deste mês, mais de R$ 85 milhões. Há quem diga que o prêmio total possa ficar próximo dos R$ 100 milhões. Para quem gostar de concretizar a estimativa, basta dizer que com R$ 85 milhões se compram quase três mil veículos zero quilômetro no valor de R$ 30 mil. Outro fator incomum – e que se torna grande atrativo e é o melhor de tudo -, como promete a Caixa Econômica Federal, é que o prêmio não será acumulado se ninguém acertar os seis números sorteados. Ganha então quem acertar cinco ou até mesmo quatro. Diante de tantos atrativos o que vê neste momento são bolões por todos os lados. Bolões entre familiares, entre amigos, entre colegas de trabalhos e até mesmo bolões feitos nas próprias lotéricas. O argumento no trabalho é dos mais impiedosos e coage qualquer um: “Só você vai vir trabalhar no dia seguinte e vai trabalhar sozinha!”. Como recusar a participação diante de tal ameaça? Já imaginou seus colegas milionários, ou mesmo com uma grana boa, daquelas suficientes para trocar de carro, comprar ou reforma a casa própria e a gente só assistindo a isso? Eu mesma estou em dois bolões e justamente aqueles de maior apelo emocional: o familiar e o profissional. E a vontade de ser um milionário aumenta mais ainda no final de ano, momento em que os desejos estão a flor da pele e a gente reflete sobre as conquistas e insucessos do ano. Quantas coisas deixamos de fazer causa do maldito dinheiro? Aliás, o que faríamos com R$ 85 milhões no bolso? Nem precisa ser o prêmio integral, pelo menos pra mim não, dividindo com dez pessoas, por exemplo, a bolada, cerca de R$ 8,5 milhões e eu aceito dividir com 10, 20 até 50 pessoas. Neste último caso a grana rateada ainda ficaria acima de R$ 1,7 milhão, cifras que mudam a vida de qualquer um de nós, desde que haja coerência, sem precisar ser inteligência. Os R$ 1,7 milhão compram tranquilamente, em Cuiabá, duas coberturas das mais ‘tops’ da cidade. Para aquecer o imaginário e despertar a sorte, a mega-sena que corre hoje está acumulada em R$ 16 milhões. Que tal investir R$ 2 para ter de fato, uma vida tranqüila? MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário

Edição EDIÇÃO 16967




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