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ARTIGO
Terça-feira, 05 de Janeiro de 2010, 12h:31

RENÊ DIÓZ

Vira o disco de 2009

Será algum mecanismo inconsciente que nos traz a idéia de que o reveillon de fato “fecha” um ano, guardando-o com seus dilemas e defeitos? Ainda nos primeiros dias de janeiro, costumamos estar ainda tão eufóricos como se as situações passadas, principalmente as negativas, não fossem ter continuidade nos novos 365 dias. Concordo que faz até bem manter um fio de ingenuidade e que esse comportamento tem prazo de validade, que expira na ressaca do Carnaval. No entanto, em Cuiabá, o poder municipal já tem dado seus baldes d’água fria. Já começamos com a cidade infestada de lixo, com medo da dengue e com resquícios da crise vivida na saúde pública no segundo semestre do ano, o ano em que esta Capital se viu oficialmente com a missão de encontrar até 2014 soluções – não mais remendos! – em grandes questões urbanas, como segurança e transporte. Será que 2009 realmente acabou? A desagradável impressão é de que, no próximo dezembro, a nossa retrospectiva de 2010 novamente vai rememorar cenas desconcertantes de nossa saúde pública, tal como em 2009. Tanto que o próprio Prefeito promete concentrar, mais do que nunca, as atenções sobre este setor. Que cumpra. Até mesmo porque para mais de meio milhão de habitantes com lixo nas portas de casa, com parentes e conhecidos internados por dengue hemorrágica, de quase nada valem o concreto e o asfalto das grandes obras urbanas. Sem saneamento e saúde, todos sentem na pele e nestes serviços ainda há questões básicas para resolvermos antes. A primeira delas é simplória como um saco molhado de lixo na calçada. Às vezes por semanas sem recolhimento dos 16 caminhões de resíduos sólidos da cidade, esse lixo se combina às atuais chuvas e o resultado é mais que mau cheiro: é o risco de se formarem criadouros do mosquito da dengue, que aqui já adoentou mais de 13,5 mil pessoas e matou 12 no ano em que categorias do SUS de Cuiabá e Várzea Grande expressaram-se insatisfeitas com a gestão e os médicos empreenderam traumática greve. Enquanto isso, os respectivos pronto-socorros se debatiam, o segundo virando um inferno abarrotado devido à falta de médicos e à reforma em curso do primeiro. Resquício disso é que os grevistas de Várzea Grande, ao contrário dos de Cuiabá, ainda não se resolveram com sua Prefeitura, informou um representante sindical na semana passada, quando falou-se até em paralisação. Já deste lado do rio, segue faltando a essencial construção de um PS estadual, reclama o prefeito, pelo temor de não se conseguir atender à demanda da crescente população. Isso porque ainda há no SUS categorias insatisfeitas, como a dos odontologistas, feito a médica em 2009. Junto à dengue, a sugestão disso tudo é de que o disco de 2009 ainda não parou de girar. RENÊ DIÓZ é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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