ARTIGO
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014, 20h:51
A
A
ALECY ALVES
Vergonha alheia
Mato Grosso, onde nasci e vivo, por amor e opção, tem nos envergonhado muito nos últimos anos. É a tal vergonha alheia. No caso específico, despertada pelo que os gestores públicos fazem ou, principalmente, deixam de fazer. Uma unidade federativa rica como a nossa, campeã na produção de grãos, detentora do maior rebanho bovino do país, que produz pedras e metais preciosos como diamante e ouro, e que tem um povo ordeiro e trabalhador, não poderia estar relegada ao abandono. Nos indigna saber, por exemplo, que Mato Grosso vem se perpetuando na liderança dos piores índices. Aqui, a incidência de hanseníase, doença cuja cura foi descoberta há quase um século, é cinco vezes maior que a média nacional. Também aparecemos entre os que têm as piores estradas do país, o que significa não dispor das mínimas condições necessárias para o transporte dos grãos que produzidos. Tão ruins que índios que cobravam pedágio na MT-235, entre Sapezal e Campo Novo dos Parecis, decidiram usar parte do dinheiro arrecadado para executar serviços de tapa-buraco. Os projetos de mobilidade da Copa de 2014, uma preparação para que Cuiabá possa sediar jogos do mundial de futebol, também tem sido motivo de vergonha, pelo menos no meu caso. Especialmente a demora na conclusão e a qualidade das obras já inauguradas. Sabemos que muitos projetos anunciados para a Copa, que foram ampla e politicamente propagados, já foram descartados, enquanto outros não ficarão prontos para o evento. Nessa lista estão, entre outros, o VLT(Veículo Leve sobre Trilhos), os Fan Parks e os centros de Saúde e de Segurança Pública. Além disso, não dá nem para imaginar um aeroporto com estrutura de lona recebendo delegações e turistas de diversos países. Ou ainda, turistas sendo impedidos de conhecer as belezas do Pantanal porque as pontes de acessos às áreas da maior planície alagada do mundo desabaram ou não oferecem segurança para travessia de rios e córregos. Por causa da incompetência dos gestores públicos, a população é exposta de maneira constrangedora pela mídia nacional. O que dizer de um Estado onde os índios tomam a iniciativa de consertar estradas? Não é necessário atuar como profeta do pessimismo, ou do caos, como aqueles que defendem ou estão no poder denominam quem critica o Governo, basta percorrer a cidade e alguns municípios para ver o que está acontecendo, ou melhor, deixando de acontecer. Alecy Alves é repórter do Diário