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ARTIGO
Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013, 20h:42

ALECY ALVES

Verdade

A verdade, sem meias-palavras ou nua e crua, especialmente quando dita sob forte emoção, seja por questões do campo profissional, familiar ou da amizade, não faz bem e jamais será bem recebida. Quando não gera conflitos ou até tragédias. Levar a vida dizendo sempre a verdade, 100%, é uma tarefa pesada, cansativa e sem-graça, entendo. Viver assim, dizendo o que pensa a todo custo, doa a quem doer, é impossível. Pensando bem, até o nosso DNA é 99,99%. Lembro minha adolescência e parte da fase adulta, até a chegada dos filhos, tentando viver com “minhas verdades” autoritárias, com dificuldade para entender ou aceitar a verdade do outro. Quanto sofrimento e prejuízos! Felizmente, a maturidade nos torna, silenciosamente, pessoas melhores, mais flexíveis, pacientes e agradáveis com quase tudo à nossa volta. A verdade parece brotar de maneira mansa e leve mesmo quando somos críticos e expressamos nossas indignações, esses sentimentos inerentes ao ser humano que, acredito, jamais podem ser esquecidos. No meu caso, gostaria que essa leveza fosse maior e permanente. Entretanto, mesmo com o amadurecimento contínuo e as mutações naturais de conceitos e pensamentos, ainda expresso traços dessa minha verdade adolescente “nua e crua”. Como mulher, costumo dizer que há momentos em que até gostaria de ser aquela que espera pelo provedor, talvez pudesse ser mais tranquilo e cômodo. Todavia, é parte da minha personalidade, felizmente, ser forte, tomar decisões e ser independente. Outro dia li uma frase que me provocou riso: “mulher escorpiana não se ama, se enfrenta”. Como escorpiana, não acredito que chegamos a tanto. Sei que não sou nada fácil na convivência cotidiana, mas entendo que quando somos conscientes dos nossos próprios defeitos podemos melhorar mais como pessoa. O que nos faz humanos e torna a vida menos complexa, mais agradável, é o respeito à igualdade de direitos e a capacidade de aceitar e conviver com as diferentes de pensamento, credo, orientação sexual e tantas outras. Como pregou o cantor e compositor Gonzaguinha: viver é não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz... AELCY ALVES é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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