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ARTIGO
Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015, 19h:25

MARCOS LEMOS

Uma questão de exemplo

Estamos em pleno período eleitoral pela direção da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso – OAB/MT, entidade que num passado não muito distante sempre foi vista como legítima defensora da sociedade contra os abusos e desmandos, condição essa relegada a segundo plano e assumida pelo Ministério Público. Falo isto, não apenas como jornalista, mas como bacharel em direito e principalmente como cidadão, pois percebo que os exemplos do passado em nada servem para a disputa de agora. Existe candidato que fez churrascada, feijoada e muitas outras ações que se estivesse numa disputa eleitoral por um cargo público certamente teria seu registro cassado e sua candidatura mesmo vitoriosa impugnada pela Justiça Eleitoral. O óbvio desta disputa é de que não existe lei, nem regra, somente o ganhar a qualquer custo e qualquer preço, pois os cargos mais disputados são o da Caixa de Assistência, que tem um faturamento da ordem de R$ 2 milhões/mês de uma arrecadação total estimada em pouco menos de R$ 10 milhões/mês e os cargos de conselheiros federais, um dos mais cobiçados pela relação criada nos submundos do poder em Brasília. Para aqueles que em seu juramento profissional, apontam acima de tudo respeitar as leis e a defesa intransigente de seus clientes, que antes de estarem julgados, são inocentes, os advogados em disputa pela OAB não respeitam sequer o mínimo da transparência. Com quase 22 mil advogados, dos quais nem 10 mil devem votar no próximo dia 27 de novembro, já se percebe que a própria categoria de advogados não é unida, até porque a grande maioria padece para trabalhar e sofre as agruras de qualquer profissão, mas uma minoria que se instalou dentro da entidade há 12 anos, partidarizando sua atuação e se enriquecendo deveria prestar contas de tudo que foi feito, já que pelo visto ninguém conhece a prestação de contas da OAB das últimas quatro gestões. O problema maior é que a OAB, melhor dizendo, a direção da OAB se tornou a grande concorrente dos advogados, ou seja, quem não participa de determinada ‘panela’ fica de fora. Como nos 141 municípios de Mato Grosso tem profissionais da advocacia e somente em tempo de eleição que ocorre a cada três anos é que se vê a presença da cúpula no interior, fica o questionamento se essa é a OAB que eles querem e se os exemplos que a entidade tem dado à sociedade são os mais legítimos e importantes para Mato Grosso e sua gente? Alguém tem a resposta? * MARCOS LEMOS é jornalista

Edição EDIÇÃO 16967




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