Não é falta de informação, nem de tempo, muito menos de recursos. Os ex-candidatos mato-grossenses não têm interesse em seguir o que a legislação eleitoral determina. E olha que o Legislativo foi quem a criou. Somente isso pode explicar o total descomprometimento com o que, incansavelmente, pregaram a Justiça Eleitoral e o Ministério Público em relação a uma correta prática dos pseudo-representantes da população. As exigências são claras: após 22h não é autorizada a permanência de material de campanha em via pública; não é permitido fazer boca-de-urna; é expressamente proibido oferecer qualquer benefício ao eleitor em troca de voto, ou seja, não pode fazer favores; chuva de santinhos, nem pensar, e, para coibir isso, uma equipe da Justiça Eleitoral fez plantão de sábado para domingo com o objetivo de receber os materiais de campanha excedentes, entre outros. É engraçado que, quando é dia de eleição, as pessoas ficam boazinhas, prestativas. Infelizmente, acredite, muitos dos postulantes só são assim em um ou dois domingos de outubros em anos pares. Pois bem, muitos dos eleitos são, agora, os ilustres nomes do povo em uma Casa de Leis. São eles os escolhidos para pensar nos municípios, no todo e não da parte (deles) -, no dinheiro público, na Copa do Mundo. Ações consideradas simples, como entregar o que sobrou da campanha eleitoral, se tornou um deus-nos-acuda. Essa questão já foi citada anteriormente, mas merece reflexão: a Justiça Eleitoral deixou uma equipe para que os excelentíssimos candidatos ou cabos eleitores pudessem levar os materiais excedentes, porém pouquíssimos o fizeram. Era como se os servidores da Justiça Eleitoral não tivessem mais nada para fazer, a não ser esperar a boa vontade dos então candidatos e coligações. Mas agora não adianta mais. As contradições dos então candidatos que cometeram irregularidades foram avalizadas por quem os elegeu e só resta aguardar mais quatro anos. O voto é a maior ferramenta de poder do mundo democrático. É uma maneira simples e direta de decidir quem tomará conta do dinheiro público. E isso deveria ser levado em conta muito antes do dia da eleição. *FERNANDO DUARTE é editor de Política do Diário de Cuiabá.
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