ARTIGO
Segunda-feira, 07 de Junho de 2010, 21h:10
A
A
GONÇALINA MARIA J.SANTOS, ROBERTA GUAZZI BIRAL e V
Um longo caminho a percorrer
O ensino de Língua Portuguesa, doravante LP, apesar dos avanços teóricos e Contribuições de todas as áreas da lingüística ainda permanece tradicionalmente explorando a gramática normativa, prescritiva. Mesmo com o novo paradigma de ensino de LP proposto pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNS) que tem como foco não mais o ensino centrado na gramática e sim no uso da língua, muitas questões ainda vêm sendo colocadas e discutidas no meio acadêmico, constatando entre elas a dificuldade de mudar esse quadro tradicional de ensino e colocar em prática efetivamente as novas teorias acerca do ensino- aprendizagem de língua materna. É importante reconhecer que a tradição do ensino de LP através da metalinguagem, das regras gramaticais, foi algo construído historicamente e que reflete o contexto sócio-histórico desse ensino há várias décadas. Um fator que merece destaque na construção dessa perspectiva de ensino é o prestígio da língua padrão, da norma culta, que segundo Bezerra (2003: 37) era a variedade falada pela elite nas últimas décadas do século XIX e que cabia a escola usar e ver sendo usada. Outro fator apontado pela autora que reforça essa tradição é a influência do estudo do Latim pautado na gramática, cujo modelo era seguido no ensino de Língua Portuguesa. Com o acesso das classes popular e à escola surge uma nova realidade e consequentemente a necessidade de reformulações no ensino. Essas mudanças foram acontecendo gradativamente, tenso a partir da década de 90 a contribuição das inúmeras pesquisas no campo da Linguística. Dessa forma novas concepções teóricas passam a influenciar o ensino da Língua Portuguesa, entre elas, como aponta Bezerra (2003: 38), estão a teoria sócio-interacionista de Vygotski, a teoria de letramento e as teorias relacionadas ao texto/discurso. As teorias citadas fundamentam o ensino da LP proposto pelos PCNS, ressaltando nesse documento o trabalho com os gêneros que têm como principais autores Bakhtin, Schnewly, Dolz, Bronckart e Marcuschi, entre outros. São teorias muitos discutidas atualmente porque apresentam diferentes vertentes, mas com grande contribuição para o ensino- aprendizagem de Língua Materna. É nesse contexto que surge a questão fundamental, que deve ser objeto de reflexão dos professores, não só daqueles que estão em formação, mas também daqueles que estão em ação, é preciso refletir sobre em que medida essa teorias fundamentam a sua prática e se elas estão realmente aplicadas em sala de aula, favorecendo a tão necessária mudança de paradigma no ensino LP. Na tentativa de responder essas questões aponta-se aqui um dos ou poderia-se arriscar a dizer o principal problema desse distanciamento entre teoria e prática: a formação docente. A formação docente implica fundamentalmente no ensino e o que percebe-se na maioria das salas de aula, são as dificuldades de acesso desse professor às novas teorias, cuja discussão restringe-se aos méis acadêmicos, e a falta de uma formação continuada que lhe dê oportunidades de conhecê-las e refletir criticamente sobre as mesmas. Sem essa mudança assiste-e a um quadro no qual o professor, antes um intelectual responsável por sua formação e com domínio crítico sobre suas escolhas em sala de aula, capacitando para escolher o que ensinar ou não, tornando cada vez mais um executor do livro didático, que em função da acirrada disputa no mercado editorial traz uma série de inovações, aulas prontas, e extenso manuais para o professor, reforçando a idéia da má formação dos mesmos indo ao encontro a pratica em sala de aula. Enfim, é uma situação que deve ser pensada, alas a escola deve ser o espaço da reflexão e ação. Se não houver uma reformulação nos cursos de formação docente e consequentemente a reflexão e emancipação desse professor acerca de sua formação, o que para muitos é considerado o tradicional ensino da LP através da gramática, continuará persistindo em muitas salas de aula de nosso país, tão carente de mudanças e de um ensino que forme cidadão crítico e reflexivo. As novas propostas e as novas teorias não podem se limitar aos documentos, aos textos científicos, elas precisam caminhar até a sala de aula e nessa viagem o professor é peça fundamental, pois percebe-se que muitos são as teorias estudadas, e poucos avanços a pratica em si aplicada. * GONÇALINA MARIA J. SANTOS, ROBERTA GUAZZI BIRAL e VALDECI CONCEIÇÃO DOS SANTOS, Professoras graduadas em Letras