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ARTIGO
Terça-feira, 25 de Maio de 2010, 21h:15

PAULO HAYASHI JR.

Transformação do homem

“Vontade, meu reino por uma vontade” poderia ter escrito Shakespeare, uma vez que sem ela não se perde apenas um reino, mas toda uma vida de recursos e oportunidades, expectativas e provações. A vontade de vencer na vida, a vontade de comprar determinada mercadoria, a vontade de ser feliz. Estes são apenas alguns tipos de vontade que servem para movimentar a pessoa, de levá-la à ação, tal como a motivação. Aliás, vontade e motivação estão intimamente atreladas. É difícil traçar fronteira entre elas e de saber qual delas influencia mais a outra. Mas uma coisa é certa a vontade inabalável é fonte de energia até para a motivação que costuma ser efêmera e passageira. Por exemplo, muitas pessoas desejam ser ricas e famosas, mas quantas têm motivação suficiente e duradoura para trabalhar e se dedicar para isso? Por outro lado, parece ser difícil ter motivação sem vontade. E o que fazer quanto se tem algo para realizar, mas não a motivação? Até que ponto há motivação para realizar a vontade do outro? Sabemos que “vontade coagida não é vontade”, todavia como realizar a famosa frase “Fiat voluntas tua” (que seja feita a Tua vontade)? Ora, é preciso que anulemos o nosso ego e orgulho e passemos a encarar a vontade superior como sendo a nossa. Não que sejamos perfeitos, mas que entremos em sintonia com as forças superiores para a realização daquilo que for melhor para nós. Normalmente somos traídos pelo nosso raciocínio e pela nossa capacidade cognitiva e racionalidade limitada, por isso à importância de buscar de tempos em tempos um cantinho para o isolamento meditativo e reflexão. Quem reflete com profundidade e ponderação nas circunstâncias da vida, bem como nos cenários futuros e nas decisões e ações passadas tem melhores condições de perceber que “fazer a vontade Dele” resume em fazer a coisa certa para ser feliz. Assim, soa estranho, mas somos os únicos responsáveis pela nossa infelicidade e caída ocasional, pois o engano e a imprudência são duas qualidades humanas. A vaidade também. Portanto, aprendamos a confiar Nele e a ter a humilde para aceitar que não sabemos tudo. Precisamos ter a consciência de nossa pequenez e de nosso lugar no Universo, mas contar com uma vontade inabalável de aprimorarmos a nós mesmos ao longo do tempo, suprimindo os nossos vícios e ampliando as virtudes do coração, pois como ensinou o mestre Nazareno: “Bem-aventurados os pobre pelo espírito, pois deles é o reino dos Céus” (Mateus 5, 7). * PAULO HAYASHI JR. Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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