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ARTIGO
Segunda-feira, 07 de Maio de 2007, 20h:22

FÁBIO DE SOUZA ANDRADE

Todos querem segurança

Definir a violência não tem sido uma tarefa muito fácil numa sociedade complexa, heterogênea e desigual, o mesmo acontece quando falamos em criminalidade, suas origens e causas. Ambas perpassam vários campos de poder e de saber presentes nas relações entre os homens, não tendo um determinante causal único de modo a permitir assegurar que haveria um único fator determinante de todos os tipos de violência. Com o advento da Constituição Federal de 1988, o Sistema de Segurança Pública reorganizou-se e adequou as instituições policiais a nova ordem Institucional, o Estado, no cumprimento de um dos seus fins a “Segurança Pública”, passou a compartilhar com a sociedade algumas iniciativas. Diante da crescente demanda por serviços públicos policiais, verificáveis não só em razão do sentimento das pessoas, mas pelos indicadores policiais, a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso atualmente trabalha com gestão estratégica apoiada na excelência em gestão pública por resultados, sempre buscando a excelência no atendimento, implementando ações conjugadas e complementares de Segurança Pública, desafio que residi em ações e estratégias que se traduzam em resultados operacionais. Contudo, para isso é necessário o envolvimento de todos os atores: o Estado, destinando recursos orçamentários; a Polícia, atualizando os conhecimentos gerenciais dos agentes públicos policiais, redefinindo o perfil do Gestor – Comandante, reeducando-o para o planejamento estratégico visando melhorias e resultados; finalmente, a Sociedade, compartilhando e assumindo posições críticas, estimulada à educação e à cidadania. Sem a participação da sociedade civil fortalecida, e sem a participação do poder público estaremos fadados ao acelerado agravamento do que já estamos vivendo. A sociedade civil com um projeto de cidadania efetiva para os indivíduos é importante, mas o Estado tem condições materiais e simbólicas de liderar e coordenar um movimento de resgatar os valores coletivos promovendo a cidadania e a justiça social. Essas são algumas variáveis para pensarmos a violência e a criminalidade, e assim superarmos esse quadro de desesperança. A permanente questão da insegurança nos grandes núcleos urbanos não é um problema resolvido. A complexidade das causas, a variedade das suas manifestações e, especialmente, a inexistência de critérios objetivos fazem da violência e da criminalidade uma das grandes incógnitas políticas. Já não se considera que a questão possa ser tratada apenas como produto da exclusão social, da mesma maneira já não se pensa que ela possa ser cuidada apenas com a força e as armas da repressão policial; senão que é condição fundamental para uma sociedade mais justa, que todos sejamos participantes e responsáveis, conforme nossa Constituição Federal. * FÁBIO DE SOUZA ANDRADE é capitão da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, pós-graduando do Curso de Especialização em Gestão de Segurança Pública na APMCV e curso de Direitos Humanos pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha

Edição EDIÇÃO 16966




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