Na edição da revista RDM que chega hoje às bancas, tem uma entrevista que fiz com dois produtores do agronegócio mato-grossense: Carlos Ernesto Augustin e Ricardo Tomczyk. Aliás, já abordei o assunto neste espaço sem identificá-los. Eles disseram-me que o capital europeu de fundos de pensão, de outros fundos e corporações empresariais, está comprando terras em Mato Grosso. Começaram nos municípios de Primavera do Leste, Diamantino, e depois avançaram para o Vale do Araguaia, em municípios como Santo Antonio do Leste, Canarana, Água Boa, Querência, e continuam subindo na direção Norte, olhando ferrovias e portos marítimos ao Norte/Nordeste. Eles não compram diretamente. Preferem as empresas do agronegócio argentina, que possuem um know-how histórico em agricultura empresarial. Recorde-se que já em 1920 a linhaça argentina era cotada na Bolsa de Chicago. Mas não é só o capital europeu. Os japoneses, chineses e norte-americanos estão comprando terras em Mato Grosso para produção de alimentos e de agroenergia. Olham para a cana de açúcar, e para outras variáveis de biomassa. Por isso, a pressão ambiental estrangeira sobre Mato Grosso vai diminuir gradualmente, porque o próprio capital que se protegia lá no primeiro mundo, estará cada vez mais migrando para cá. Lógico, que não vai financiar as Ongs que detonam Mato Grosso para proteger os negócios europeus e norte-americanos. Mas a reflexão que gostaria de fazer neste artigo é outra. Com a chegada de capital produtivo do primeiro mundo a Mato Grosso, através de empresas argentinas, com metodologias de terceirização de todos os serviços e arrendamento de máquinas via leasing direto, algumas coisas acontecerão. Uma, é que grande parte dos nossos produtores individuais, se tornará prestador de serviços para os argentinos já que venderão as suas terras e precisarão de alguma ocupação. Outra é de natureza sociológica. A partir da década de 70 os migrantes do Sul/Sudeste substituíram os métodos de produção e os produtores de Mato Grosso. Foram a segunda geração da produção, mais moderna, em larga escala e tecnológica. Agora, endividados e sem meios de vencer os entraves da logística perversa, também sairão do mercado da produção. Serão substituídos pelas empresas estrangeiras e pelos grupos regionais e nacionais que se tornaram corporações de produção. Será uma revolução na gestão e no capital. Assim, nos próximos anos, desaparecerá essa cultura produtiva como hoje conhecemos. Tudo será empresarial, tudo será globalizado, e quem estava nos setores produtivos terá sido expulso. Com dinheiro ou sem dinheiro no bolso. Alegre ou triste! Mas a reflexão que gostaria de deixar numa primeira conversa é que Mato Grosso é um estado completamente pobre em representações institucionais. Será certo que o mundo político da maneira como está posto, será varrido pro lixo, por incompetência de ação e de compreensão das realidades atuais e futuras. E novos quadros serão postos, com transformações ainda inimaginadas. Deixo aqui essas primeiras reflexões e espero contribuições dos leitores para dar seguimento ao assunto dos próximos cenários. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
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