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ARTIGO
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007, 18h:49

ALINE CHAGAS

Tenho fé!

Programas de retrospectivas de final do ano sempre me causaram tristeza, desde a infância. E não era birra de criança por serem os poucos programas especiais jornalísticos em meio à chuva de musicais ou filmes clássicos. Minha tristeza se devia às imagens fortes e ao conteúdo, em sua maioria, de tragédias e violência que tomam conta do mundo. E percebo que a cada ano que passa, novas sensações somam às que tinha no passado. É inacreditável como fatos cada vez mais absurdos surgem a cada dia para nos lembrar que nunca devemos pensar que o pior já passou. Há sempre o risco de alguém superar o limite do absurdo e chocar todo o país novamente. Em fevereiro fiquei sem palavras e profundamente comovida com o assalto que resultou na morte do pequeno João Hélio, no Rio de Janeiro, em uma das avenidas onde mais transitei na minha infância. Lembro-me de me sentir totalmente sem reação, ao saber que dias depois, em pleno cenário de solidariedade nacional com a morte do pequeno, alguém teve a coragem de colocar uma arma na boca de uma criança por causa de um assalto. Durante dias, me perguntei: aonde a humanidade vai parar se continuar nesse caminho? As grandes tragédias, que com certeza serão lembradas com as imagens mais chocantes dos arquivos das televisões e jornais, tomaram conta desse nosso imenso país neste ano que termina e trouxeram à tona problemas que poderiam ter sido solucionados pelas autoridades e evitado centenas de mortes. São projetos malfeitos, obras inacabadas e centenas de famílias sem seus entes queridos. Somente no dia 17 de julho, foram 187 vítimas do pior acidente aéreo do País. Um pouco antes disso, em janeiro, sete pessoas foram soterradas no desabamento das obras de uma linha do metrô em São Paulo. E ainda, para complementar as tragédias, existem as inúmeras vergonhas nacionais que povo brasileiro teve que engolir de seus próprios representantes no Legislativo. É claro que houve momentos positivos em nosso Brasil no decorrer do ano. Quem iria imaginar que o Rio de Janeiro seria sede de uma competição esportiva internacional sem notícias chocantes de violência, assaltos ou barbaridades cometidas pela guerra do tráfico? Confesso que gostaria que mais notícias como essa tomassem as retrospectivas de final de ano. Confesso que ainda tenho esperanças disso acontecer. Tenho fé. Um ótimo ano-novo a todos! ALINE CHAGAS é jornalista

Edição EDIÇÃO 16967




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