Só Frank Sinatra, o Papa e eu fizemos o Maracanã calar. (Ghiggia, autor dos dois gols uruguaios na final da Copa de 50) Em 1950, com dois gols desconcertantes, empatando e depois virando o jogo pra seu país, o atacante uruguaio Alcides Ghiggia, hoje com 83 anos cravados, fez o Brasil inteiro chorar. A seleção brasileira, acumulando triunfos insofismáveis, adentrou o gramado do Maracanã equilibrando-se num baita salto alto. O título essa a sensação geral era fava contada. Bastaria um mero empate pra chegar lá. O primeiro gol, do ponteiro Friaça, foi recebido como prenúncio da inevitável goleada que estava por acontecer. Os deuses do futebol, caprichosos, ordenaram algo diferente. Impactante, dolorido pacas. O Uruguai, na base da raça, deitou e rolou em campo, abiscoitando a cobiçada taça. Pelé, maior jogador de futebol todos os tempos, e Ghiggia vejo no suplemento sobre a Copa de O Tempo encontraram-se num vôo para a África, dias atrás. Um grupo de jornalistas compôs no avião platéia improvisada. O rei contou a Ghiggia que ele fez seu pai, Dondindo, chorar convulsivamente em 50. Nasceu ali, revela o craque, uma promessa de meninote embalado de sonhos: caso algum dia viesse a integrar a seleção, traria o título mundial para o Brasil. Oito anos depois, aconteceu a Copa da Suécia com o primeiro triunfo brasileiro nessa admirável sequência que poderá, dentro de dias, Deus nos ouça, ser enriquecida com o hexa. No avião, Ghiggia afiançou que Pelé foi um jogador maravilhoso, o melhor que vi jogar, com toda certeza. Repetiu sentença famosa que o enche de orgulho profissional: Só Frank Sinatra, o Papa e eu fizemos o Maracanã calar. Confere. Em tom bem humorado, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, afirma que a Copa de 2014 no Brasil poderá vir a ser disputada com larga predominância de atletas sulamericanos, notadamente brasileiros e argentinos. A declaração foi suscitada pela constatação de revelar-se bastante elevado (como parte de um movimento que só vem crescendo nos últimos tempos) o número de atletas naturalizados que estarão envergando camisetas de escretes participantes do torneio na África do Sul. Só brasileiros são seis. Três deles defendendo a seleção de Portugal. Nem a Argentina escapou dessa onda. De seu elenco faz parte um atleta nascido noutro lugar. O futebol está a repetir, nesse particular, o vôlei. Tanto o de quadra quanto o de praia. A situação é considerada preocupante pelo dirigente máximo do esporte das multidões. Joseph Blatter acha que alguma regulamentação precisa ser baixada sobre a questão, mode impedir a criação de um mercado de atletas contratados com a exclusiva finalidade da mudança de nacionalidade. Isso mesmo. Parte da população da África do Sul, país que estampa em suas manifestações culturais notáveis afinidades com o Brasil, rodeia de muito respeito os gurus religiosos comprometidos com as crenças dos ancestrais. Costuma recorrer a eles, como acontece também por aqui, em horas de aflição e de expectativas nervosas. As competições esportivas geram, naturalmente, consultas e apelos. Recolho em O Tempo notícia de que um desses profetas, de nome William Mphane, mandou, outro dia, recado especial ao brasileiro Carlos Alberto Parreiras, técnico dos Bafana Bafana. Se Parreira se dispuser a ir ao seu encontro, diz a matéria, ele irá ensinar-lhe um segredo capaz de conduzir o time que dirige à semifinal dos jogos. Mas, se ele não vier, não chegará nem às quartas de final, garantiu. A sugestiva notícia não esclarece se Parreiras compareceu ou não ao encontro com o guru. Já um outro sangoma sulafricano, John Basheng a informação é da mesma fonte -, não põe fé definitivamente na seleção de seu país: Vou rezar por eles, mas para mim, não será possível eles serem campeões. Alguém propõe a Basheng que ele peça, então, pelo triunfo do Brasil. O guru recusa com palavra incisiva: Os brasileiros são os melhores, não precisam de reza. Inevitável o aflorar à mente, a esta altura de tais considerações, aquela sentença magistral, atribuída ao que parece ao folclórico Nenê Pranha: Se reza braba ganhasse jogo, o campeonato baiano acabaria sempre empatado. *CESAR VANUCCI - Jornalista (
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