RENATO DE P. PEREIRA
Ganha força nos Estados Unidos o movimento chamado Tea Party, uma referência ao episódio do século 18, quando colonos americanos lançaram ao mar toneladas de chá em protesto contra o aumento de impostos. Agora ele não é anarquista, mas procura, através da política, impedir a escalada do governo sobre as liberdades individuais. O aumento dos gastos públicos para socorro aos bancos na crise do ano passado e o plano de saúde, que o presidente tenta aprovar no Congresso, aborrecem os americanos. O movimento, originário na classe média, aquela que paga mais impostos, promete muito. É esperar pra ver. Aqui no Brasil há um descontentamento da iniciativa privada, a que produz riquezas e desenvolve o país, com o recorrente aumento de impostos para atender os acréscimos abusivos nos salários dos funcionários públicos e inúmeros planos eleitoreiros dos governos dos três níveis. Entretanto, como esses aumentos e planos se vestem de bonzinhos, as reações políticas contra eles são tímidas, já que teoricamente não produzem votos. Em 7 anos (segundo a revista Veja de 17/02/10) o Poder Executivo teve um aumento de gastos de 45%, o judiciário de 108% e o legislativo de 43%. Também prosperaram o Bolsa Família, o Seguro Desemprego, o aumento do tempo da licença maternidade, o absurdo ônus sobre a folha de salários e mais recentemente o plano de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Claro que tudo isso seria ótimo se houvesse dinheiro disponível para tal. Para sustentar essas dádivas dos políticos a carga tributária brasileira que era menor de 28% do PIB há quinze anos, já beira os 38% e continua subindo. Na teoria dos jogos existe uma variável a tragédia dos comuns que explica como pequenas ações individuais acumuladas e repetidas podem comprometer o bem geral. Vamos dar um exemplo: Dez pessoas têm, em comum, uma área de pastagem no pantanal (lá no pantanal, há alguns anos, era normal propriedades sem cercas divisórias) que no total suporta mil cabeças de gado. Como no nosso exemplo somos dez, cada um poderia ter 100 animais. Acontece que tem um sabidinho que resolve aumentar seu rebanho em 50%. Os 50 animais que ele colocou a mais, influem muito pouco no estado das pastagens pois significa somente 5% da capacidade total de suporte. Mas, na prática essa esperteza não se sustenta. Seus vizinhos percebendo a malandragem também aumentam o rebanho, provocando uma corrida armamentista cada um se armando contra a astúcia do outro. Aí todo o sistema entra em colapso. A natureza não consegue suprir aumento da demanda por pastagens e todos saem perdendo. Assim na política cada um dos aumentos ou benesses dos políticos, que lhes rende lucro em forma de voto, isoladamente não tem grande repercussão no conjunto. Mas a soma delas é desastrosa e a natureza, no caso a classe pagadora de impostos, cedo não vai mais suportar tanta demanda. É próprio do ser humano querer sempre ganhar mais, ter estabilidade no emprego, licenças para muitas finalidades, amparo do governo para momentos difíceis e trabalhar menos, mas infelizmente não há recursos para atender a tantas demandas. O governo, como sabemos, não produz um real de riqueza, somente a administra e gasta. Muito mal, é bom que se diga. Tomara que prospere o tea party nos Estado Unidos, depurado de seus exageros atuais, e seja copiado aqui, para coibir o tamanho do governo que avança inexoravelmente sobre a iniciativa privada. * RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário
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