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ARTIGO
Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008, 20h:30

PAULO ZAVIASKY

Surpresas no horário eleitoral

O povo começa a descobrir que a palavra “obrigatório” existe na própria lei “democrática” do horário eleitoral “gratuito” em nosso país. Um ranço das ditaduras que enfeitam a nossa história. Nossa gente descobre, também, que tal horário gratuito não é grátis, assim sem mais nem menos. Muito pelo contrário. Gasta-se mais com o horário “gratuito” do que se ele fosse como Lula nos prometeu e ainda não cumpriu. E de paradoxo em paradoxo, surge nos céus de Cuiabá uma anomalia sensacional que representa uma afronta a todos os municípios do Vale do Cuiabá. É a obrigação que as TVs e o povo têm com os candidatos de Várzea Grande (MT) em doar um espaço para os candidatos daquele outro país. Considero Várzea Grande (MT) um país. E digo porquê. “O poder emana de Várzea Grande (MT) e em nome dela será exercido”. Está na Constituição Federal. Embora mudaram apenas uma palavrinha chata e insignificante que era “povo”. E colocaram em seu lugar, “Várzea Grande”. Vou explicar. Nos tempos dos “coronéis” de nossa política bororo, toda e qualquer decisão eleitoral vinha apenas de um lugar: Várzea Grande (MT). Aquela cidade pensante sempre escolheu os governantes de Mato Grosso num tal de “Plano Decenal” ou eterno. Até hoje, o Pentágono Mato-grossense situa-se bem no centro dessa importante cidade, no Beco do Porrete, local das grandes e históricas decisões de nossa política. Quando alguém deseja saber a localização exata da Cidade Industrial, ou a Cidade do Chicote da Fronteira, este é o apelido do carrasco Operário Futebol Clube de lá, é só citar que ela fica exatamente no ponto de encontro das linhas entre a NASA dos EEUU e a Terra do Fogo e o Kremlin da Rússia e o Monte Isa na Austrália. Quando as eleições se modernizaram e inventaram uma tal de “democracia”, um sacerdote que aqui em Cuiabá chamamos de “Padre”, se aventurou a tentar ganhar as eleições em nosso Estado para implantar nas escolas públicas o ensino da religião dele. Voou como um pombo. Na mesma hora, surgiram novidades eleitorais. Primeiro, foi uma tal de “pesquisa” que pouco a pouco foi virando lei e hoje substituiu o voto do povo que nem precisa mais votar porque sempre sabe antes aquilo que está estacionado dentro das urnas “eletrônicas” brasileiras. E de invenção em invenção chegamos onde estamos. Um sábio várzea-grandense já havia dito que quando alguém reclamar da casa pequena que tem, é só colocar um cavalo dentro junto com todo mundo. Depois de uma semana, é só tirar o cavalo de lá que a família inteira vai abençoar o espaço que sempre teve. Mas, a grande surpresa fica por conta de um esdrúxulo bastidor secreto: por que cargas d’água as TVs e o povo são obrigados a abrir horário para Várzea Grande no horário político? Não sou contra. Só aqui há emissoras de TV. Mas, que se abram também horários para Santo Antônio de Leverger, Chapada dos Guimarães, Rosário Oeste, Barão de Melgaço, Mimoso, entre tantos outros municípios limítrofes. Por que só para Várzea Grande? Todo mundo sempre responde que é porque Julinho Campos é de lá... Ainda sonho com eleições livres. Livres de horários “gratuitos” caros prá burro, de voto obrigatório e de pesquisas que tiram o sabor da expectativa e da luta até o fim como acontece hoje, em que todo mundo já sabe, numa sem-graceira safada, quem tirou o primeiro lugar na eleição para a prefeitura de Cuiabá e quem é o adversário “dele” no segundo turno e que acaba de conquistar o segundo lugar nessas pesquisas que substituíram o voto do povo. * PAULO ZAVIASKY é jornalista. Está no “24horasnews” e comenta na Rádio Natureza de Chapada e emissoras autorizadas [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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