No ano de 1968, o governador Pedrossian era considerado o melhor governador de Mato Grosso que ainda não era dividido. Cuiabá estava acostumada ao isolamento total dos grandes centros e das finanças nacionais. É fácil entender por que qualquer político que não ficasse em sua roça, enfiasse um poste na Avenida Vargas ou uma lâmpada nova em qualquer esquina desta capital sem-luz, fosse homenageado até com Missa de Ação de Graças. Pedro, o último governador eleito pelo povo, antes do movimento de 64, sempre cultivou a simpatia. Ao contrário do sisudo Fragelli, o mais completo governador que já tivemos em capacidade e honradez, uma espécie quase extinta como Frederico Campos, por exemplo. Com o detalhe de que a única falha de Fragelli foi a sua luta pela divisão de Mato Grosso, mas esta é outra história. Foi Pedro Pedrossian quem lançou a moda dos carrões chiques de seus auxiliares mais diretos que nunca comeram melados e essa esteira de escândalos dos maquinários dos governos que quase todos os governadores teimam em edificar, sempre no final de seus mandatos. Denominados na época de escândalos dos tratores da Romênia que, a exemplo de todos, nunca dá em nada mesmo. Foi nessa época, 1966/1971, que a Presidência da República determinou a construção da UFMT em Cuiabá liberando uma verba que hoje seria apelidada de PAC. A exemplo dos PACs de hoje, Pedro também desviou tudo para Campo Grande, hoje MS. E asfaltou uma enorme cidade universitária por lá, dotando-a do lindo e majestoso Cine ao Ar Livre ou Drive-In; determinou majestosas edificações de concreto armado e ergueu o majestoso estádio de futebol Morenão, que leva o nome dele, entre outras maravilhas. Tudo com o dinheiro nosso. E, por aqui, a fim de não desafiar muito os militares que nos presentearam com tal gigantesca verba desviada para Campo Grande, ergueu seis cubículos de tijolos furados e com telhados baratos de Eternit, quentes pra burro e que foram apelidados de fornos de microondas e abriu com festa aos bororos, uma picada no mato apelidada de avenida universitária. Em dois dias, abriu com apenas um trator, um enorme buraco e convidou as autoridades e o povo, onde houve até discursos inflamados de agradecimentos cuiabanos, para a inauguração do buraco que futuramente seria uma piscina olímpica. Fiz questão de registrar a palavra ergueu para o Morenão por causa do gigantesco esquema que funciona até hoje em Cuiabá, como no caso do Verdão, onde escolheram um charco pantanoso, um buraco para não erguer e sim afundar o nosso estádio dinamitado desnecessariamente, pois era só deixar abandonado, sem gastar coisa alguma, porque ele estava afundando sozinho, quase cinco centímetros por ano. E, ao invés de escolherem outro local, dos bilhões de espaços que temos, fazem essa taipa sem cantos, puxadinhos, no mesmo local cujas fotos aeronáuticas são uma vergonha, se comparadas com a lindeza do projeto inicial. Nosso povo não se indigna mais, onde alienígenas e extraterrestres do mal, nunca os bons, deitam e rolam nesta capital. Por isso, vivemos de sonhos e de revoltas. Sonhamos que um dia surja a notícia de que todos os membros do Supremo Tribunal de Justiça, do STF e de outros supremos, sublimes, majestosos, divinos, venerandos, sobrenaturais, imponentes como os TCEs e outros semelhantes, tenham mandatos de, no máximo, quatro anos, após eleições previstas nos regulamentos e normas legais, desligados e independentes de outros poderes. Com o fim também imediato dessas escolhas na inútil lista tríplice desnecessária pelo Executivo e não apenas, agora exemplifico, os votos do Parquet dos MPEs e dos desembargadores, conforme estudos em andamento imitando o primeiro mundo. Com isso, desobrigariam tais interpretadores, conselheiros e fiscais das leis, de ficarem ajoelhados e agradecidos eternamente, devendo favores e sempre recompensando aqueles que os indicaram para tais mandatos. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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