ARTIGO
Quarta-feira, 30 de Março de 2011, 21h:17
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ALECY ALVES
Somos estatísticas
No Brasil em que estamos vivendo, tamanha é a inversão de valores que o cidadão quando tem sua casa invadida por ladrões, mesmo passando por momentos de terror e humilhação, deve agradecer a Deus por sair com vida de um episódio tão trágico como esse. Deve pensar, também, pelo seu próprio bem, especialmente para recuperar a alegria de viver, que melhor seria não alimentar raiva sobre o que nos fizeram. Mesmo que isso lhe custe grande dor, a dor de ver seus filhos com uma arma apontada para a cabeça na iminência de serem mortos sem que possa defendê-los. Passado o susto, não o medo, e com sentimento de profunda indignação, a gente passa a se enxergar apenas como mais um dado estatístico, um número no mapa da violência, pois é isso que realmente somos agora. A estatística sobre roubos ocorridos no mês de março ainda não saiu, mas sabemos que dela faremos parte assim como outras centenas de famílias. Se em fevereiro a polícia registrou 477 roubos em Cuiabá, 112 a mais que o mesmo período do ano passado, as perspectivas não são boas para o mês em curso. E se tomarmos como base os registros de março de 2010, quando ocorreram 460 roubos, nem precisamos de bola de cristal para vermos um quadro mais grave. Pode ser que passe dos 500 assaltos, mostrando que os ladrões tomaram conta da cidade. Durante 2010, 5.164 pessoas foram vítimas de assaltos na capital mato-grossense e outras 2.703 em Várzea Grande, conforme dados disponíveis no site da polícia (www.policiacivil.mt.gov.br). Essa estatística mostra que ano passado, diariamente 14,1 cidadãos viveram o pesadelo e a dor de permanecer nas mãos de bandidos sob a mira de armas. Bandidos que em sua maioria continuam livres praticando crimes. Isso mesmo, a polícia não mostra em seu site quantos ladrões foram presos ou quantos assaltos elucidados. Por que será? ALECY ALVES é repórter