Se o presidente Lula estiver realmente empenhado em combater a recessão que está chegando, tem que começar pela adoção de medidas enérgicas para a redução de juros. Os juros praticados no Brasil chegam às raias do absurdo, um verdadeiro assalto sob o olhar complacente do governo. Os juros praticados pelos cartões de créditos chegam a 17.50% (dezessete ponto cinquenta por cento ao mês). Para aguentar pagar juros nesse patamar só roubando dinheiro público ou no comércio de drogas ilícitas. Nenhum negócio honesto dá lucro de 210% ao ano. Se a gente contar num país sério o montante desses juros praticados, passa por mentiroso. Quem não tem condições de quitar e paga só o mínimo é como se estivesse condenado à prisão perpétua, uma verdadeira escravidão branca. Paga até o dia de morrer e ainda deixa dívida de herança. Nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Nem o socialismo que não deu certo em lugar nenhum, nem o capitalismo selvagem. Na época do governo militar, um estudante que fazia parte de um movimento revolucionário, ao ser preso por assaltar a banco, quando inquirido, respondeu o seguinte na Justiça Militar: muito mais crime que assaltar bancos é ser dono de banco. Assaltantes de banco pelo menos arriscam a vida, enquanto que banqueiros tomam nosso dinheiro no ar condicionado. A bolha que arrebentou nos Estados Unidos, - praga que contaminou o mundo - provou que o capitalismo selvagem, a exemplo do socialismo, também não deu certo. O governo tem que intervir sempre que há abusos, excessos que espoliem o cidadão. O presidente Lula tem sido pai, mãe e avô dos banqueiros. Nunca na história do Brasil, banqueiros tiveram tanto lucro como no governo do operário Lula. Porém, o presidente ainda tem tempo para se redimir. Com relação aos juros o governo pode tomar duas medidas: ou baixar resolução através do Banco Central estabelecendo o valor máximo dos juros num patamar decente, bem como os cartões de créditos, ou baixar os juros do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal a níveis razoáveis que obrigaria os outros bancos a acompanharem. Quanto aos cartões de crédito, devem ser criados cartões ligados diretamente aos bancos oficiais e incentivar a criação de cartões ligados a segmentos empresariais e funcionais. Um exemplo positivo foi a criação do cartão MT Fomento. Enquanto os outros cartões cobram até 17.50% (dezessete ponto cinqüenta por cento) ao mês que corresponde a 210% (duzentos e dez por cento ao ano), o cartão MT Fomento cobra 4,70% ao mês, o que corresponde a 56% (cinqüenta e seis por cento ao ano). Esse exemplo deve ser seguido por todas as unidades federativas, inclusive se estendendo como, por exemplo, a criação de um cartão vinculado às forças armadas, com desconto em folha e juros compatíveis. Quando os cartões de crédito querem vender seus serviços facilitam ao máximo a comunicação. No entanto, quando o usuário necessita fazer uma reclamação fica o tempo todo ouvindo aquela música enjoada, sendo levado de um lugar para outro falando com secretária eletrônica e, quando chega à atendente o ramal está ocupado e eles mandam ligar outra hora. Dão um cansaço tão grande, que, geralmente, a gente desiste e eles continuam abusando à vontade. Reclamar no PROCON é a mesma coisa de mandar lembrança para desconhecido, não resolve coisa nenhuma. O governo precisa facilitar a criação de mecanismos que quebrem o oligopólio do Credicard e do Visa. Fato lamentável também para a população que compõe o universo de pessoas que usa serviços bancários, é essa fusão de bancos que vai desaguar num oligopólio danoso para a cidadania. O cliente bancário está cada vez mais sem opção de escolher o banco que melhor lhe atenda, e muito em breve restarão poucos; e os simples mortais, que são os clientes, vão ficar cada vez mais reféns desses abutres que nos devoram. Chegou a hora do basta. * PEDRO LIMA é analista político e advogado
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