ANTÔNIO P. DE CARVALHO
Estamos num beco sem saída, vez que uma bomba biológica, de alto poder mortífero, está prestes a ser detonada: a superpopulação do planeta. Este é o pensamento de muitos cidadãos egoístas e sem escrúpulos, sendo certo que esta casa do Pai ainda comporta muita gente. Hoje, quando a ciência se debruça sobre temas polêmicos como fertilidade e reprodução humana, paradoxalmente, nos vemos diante da miséria e mortandade de milhões de nossos irmãos por falta de comida e assistência médica. Neste pequeno texto haveremos de colocar algumas indagações originárias de experiências acadêmicas, observações antropológicas, algumas análises políticas e afirmações polêmicas sobre essa temática que certamente nos fará pensar um pouco. No nosso dia a dia, nas decisões de governo, no próprio domínio das Ciências Biológicas, a sexualidade é motivo de questionamentos e posições entre forças de vida e morte. Os grandes pensadores do planeta são unânimes em afirmar que precisamos de uma nova ordem intelectual, vez que esse famigerado desenvolvimento econômico é pura fraude. Somente uma efetiva e ofensiva cultural poderá colocar abaixo alguns paradigmas doentios que estão ainda vivos, matando tantas pessoas. Exemplo maior desses modelos ditados é a caracterização de primeiro, segundo e terceiro mundos, de países desenvolvidos, subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, sendo isso fruto de uma arrogância incontestável. Em entrevista à revista Novos Ensaios editada pelos alunos de Direito da Unic sob orientação pedagógica da professora Amália, a reconhecida mestra Valderez Amaral, da UFMT, assevera com muita propriedade: Estamos reinventando novas formas de ser, pensar e agir. E eu acho que isso é extremamente saudável para nós. Como podemos ensinar os cuidados devidos com as crianças quando não somos capazes de cuidar das nossas próprias crianças? De que maneira um juiz de Direito poderá julgar um contraventor ou criminoso se o seu próprio filho anda pelas madrugadas matando mendigos, fazendo rachas e cheirando pó em escala industrial? No lugar desse juiz de Direito citado acima, podemos colocar promotores de justiça, senadores da República, deputados, governadores, prefeitos, conselheiros do Tribunal de Contas e tantas outras autoridades que, longe de serem exemplos, são péssimos exemplos. Queixam-se de violências e são violentos. A amplidão da palavra violência é tão vasta, que a grande maioria possuidora de visão e entendimentos estreitos acabam cometendo-a em nome da antiviolência. Uma mulher que aborta para que a gravidez não violente o seu corpo escultural. Um Estado que adota a pena de morte para justificar a sua incapacidade de transformar e ajudar o cidadão delinquente. Um policial que se vende para o banditismo porque seu salário não compra dignidade. Uma sociedade onde dignidade é sinônimo de carro importado, fazendas, mansões, dinheiro, poder... A escala e velocidade de nosso mundo são anticriança; não se permite que vagueiem pelas ruas, mas devem enfrentar um terrível corredor polonês para chegar ao local principal de sua segregação: a escola. Não podem abrir portas e janelas, não podem falar com desconhecidos, são sufocadas e pisoteadas em multidões, silenciadas quando falam ou choram na presença de outras pessoas, desculpadas por mães atormentadas, que partilham seu ostracismo, tudo isso após escaparem de um aborto. Hoje, por não possuir condições de pagar um bom plano de saúde e enormes contas dos ortodontistas, não se tem mais filhos. Faz-se muito sexo. Criança, não! Indagados, respondem: - já existem tantas crianças em excesso, especialmente crianças pobres... A reprodução humana neste nosso mundo tornou-se uma espécie de manufatura. Quanto mais as mulheres têm conhecimento das condições do parto, menos se mostram dispostas a enfrentar a provação. Sexo, sempre; filhos, nunca! O que mais se vê atualmente em nossa sociedade são pais ansiosos em se libertar de seus filhos, tanto quanto os filhos querem se livrar deles também. Depois, querem saber por que tanta violência! Enquanto isso, uma mídia inescrupulosa fomenta a sexualidade irresponsável em detrimento de uma sociedade sadia moralmente. Não podemos destruir o que não sabemos consertar. * ANTÔNIO PADILHA DE CARVALHO é advogado, professor, geógrafo e especialista em Educação, Direito do Estado e Filosofia
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